quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O ápice da solidão

Você olha pro lado, não vê ninguém. Olha pro outro e só enxerga sua própria sombra. O quão solitário um ser humano pode ser? A qual nível de solidão existencial e física alguém é capaz de suportar? Eu, naturalmente, sempre fui um indivíduo um pouco afastado da maioria, nos dois aspectos (físico e existencial) Porém, o primeiro deles - o físico - nunca sequer me incomodou, tirando momentos de isolamento extremo. Agora, o segundo, é sim aterrorizante e amedrontador. Saber que existem pessoas que estarão do seu lado para apoiar-me nas dificuldades e para rir das vitórias é um consolo... Mas e quando essas pessoas, sendo mais específico, esses amigos, cuidam das suas próprias vidas? É uma maré de desgosto rondando à sua volta. Aqueles seus amigos, cujas conversas gravitavam em torno da solidão existencial do homem, não estão mais assim. Você não "divide" sua solidão com os outros. Apenas diminuiu seus contatos e, para suprir tal carência, é necessário que haja uma pessoa tão solitária quando você para lhe deixar, no mínimo, contente. Mas aí eu pergunto: E quando não sobra nenhum amigo? Quando, indubitavelmente, seus melhores amigos estão vivendo suas próprias vidas, namorando, se divertindo, enquanto você ainda está afundado na lama? Juro que não sou tão egoísta à ponto de não ficar feliz por ele, ora, pelo menos saíram do buraco que implica na solidão. Em contrapartida, com quem podemos dividir nesse momento de distância minhas angústias mais profundas? É nesse momento que um ser humano fica se perguntando se a solidão é realmente um privilégio dos espíritos eminentes ou somente uma condição dos fracos.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O porquê das ilusões

Quando acordamos, logo pensamos "O que farei do meu dia?" E sucessivas vezes, faremos a mesma pergunta ao acordar. Mas, pensando bem: Do que vale perguntar sobre isso?

O que proponho é o seguinte: do que vale pensar, organizar, planejar, se estamos rumados às burocracias diárias de nossas vidas? O que nos leva crer que somos irremediavelmente livres? A esperança tem esse poder. Transformar o imutável do nosso dia-a-dia, nas ilusões que constituem nossa mente. Mesmo que imaginemo-nos sendo popstars, capa de revistas ou futuros milionários, ainda estaremos compromissados com o que temos: a realidade. E essa realidade, tão dura e cruel, é capaz de transformar um amanhecer belo e cativante, numa tempestade torrencial. Mas se a realidade é o que temos, e a ilusão é o que imaginamos, por quê não focar na realidade? Talvez porque precisamos dessas mentiras ocasionais. Necessitamos de celulares "da moda" para não pensar no sofrimento alheio(ou da própria pessoa, depende do caso.) Se enfrentássemos a vida como ela realmente apresenta-se à nos, enlouqueceríamos em questão de horas, só de observar quanta miséria que jamais conseguiremos reverter. Nesse momento, talvez, surge a pergunta: "Mas por quê você não ajuda em alguma coisa?" E respondo, com toda sinceridade que cabe-me no momento: Porque nada posso fazer. Quer dizer; "nada" é muito extremista, concordo. Poderia ajudar uma instituição aqui, outro grupo acolá, mas quando podería fazer isso com todos os que sofrem nesse mundo? Por mais que ajude ciclano ou beltrano, quantas pessoas ainda sofrerão nessa vida?

Pode ser um conceito até "egoísta" para algumas pessoas. Mas o que vejo, é o mundo como um todo, não uma região em específico. Quando digo isso, sempre tem alguém fazendo uma pergunta um tanto quanto óbvia: "Mas se tantas pessoas sofrem, por que não sentir-se feliz de estar numa condição melhor?" Sim. Sinto-me bem olhando por esse aspecto, atentando-me que tenho uma casa para morar, carinho familiar e todos as inutilidades materiais que me satisfazem. Mas se olharmos por esse aspecto, aí sim, seremos egoístas e miseráveis(de espírito), pois vemos motivos para nos sentir felizes através do sofrimento de outrem. Sim. É disso que vivem os mortais. Comparações óbvias, necessidades momentâneas e pensamentos egoístas. Isso não é novidade para ninguém, e nunca será, até que homens ainda permaneçam homens. A dor outro, assim como machuca-nos, tem o incrível poder de deixar-nos "alegres", agradecendo à Deus(ou à natureza, dependendo da crença do indivíduo) por estar numa posição melhor. Assim como machuca ver um deficiente na rua, alegra-nos o sorriso contido em sua face, porque nessas horas vemos o quão somos "abençoados".

Enquanto isso, na África milhares passam fome; nos EUA milhares alimentam-se constantemente; no Japão inventam novas tecnologias; e no mundo, pelo menos nesse aqui, somos iludidos pela necessidade da manutenção da sanidade.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Estradas vazias

Um homem caminhou por terras longínquas, distantes, sombrias; caminhara durante dias com teu povo, em busca de um tesouro guardado com um antigo negociador, que prometera devolvê-lo. Finalmente em teu destino, o senhor assim disse:

"Eu estive esperando tua misericórdia e piedade diante de vossas vidas. Não sabe o quanto lutaram e caminharam para chegar nestas terras distantes, desgastadas e vazias; sabes tu que trouxera todos os teus desejos, assim como meus confidentes de expedição. Atravessamos rios, lagos, planícies e encontramos demasiada dificuldade, com um só objetivo: chegar aqui, em tua terra. E tu nos trata dessa maneira; insolente, mal-caráter e odioso; só assim posso definir tua constituição interior e psicológica, assim como tua intenção. Se soubesses por quantos solos fervente nós passamos, quanta injúria enfrentamos, trituraria-se pela pequena sanidade que ainda há em ti.

Conheço as pessoas e sei tuas dificuldades em compreender-nos, mas se fizestes isso comigo e com meu povo, jamais confiarei novamente em um ser humano, por mais nobre que ele seja. Não deveria ter acreditado em tuas promessas, malditas promessas, que jamais cumpriste ou cumprirás algum dia. Deveria estar prevenido das intenções humanas, essa terrível mesquinhez que compõe nossa raça e agir para outrem como agem comigo. Mas sou demasiado bom para isso, sou incapaz de tal feito; gostaria de agir impiedosamente, maltratar meus inimigos, obter vantagens através dos meus amigos, mas isso foge da minha natureza e de pensar nessa possibilidade, entristece-me a alma. Meu povo, assim como eu, foi vítima da mesma armadilha que caíra: a suposta bondade humana. Poderia ter aceitado minha vida como sempre foi, rede de ilusões e disparates, vítima de tiroteios e ganância. Todavia, tenho que criar minhas falsas esperanças e tentar acreditar o mínimo possível em outrem, para que minha mente não adentre numa tempestade de loucura.

Em outrora admiti meus vícios e virtudes, sim, reconheço que já errei, como qualquer ser humano aqui presente. Em contrapartida, pedi desculpas aos que equivoquei-me, com minhas atitudes errôneas e impulsivas. Pelo contrário, você intensificou tua arrogância após 20 anos de amizade, e quantas vezes tentei ajudar, quantas vezes. Só Deus e eu sabemos o quão forte eu fui pra aguentar tua petulância, tua presunção, teus vícios e manias. Gostaria que tu soubesses o quão significante tu já fostes para mim, assim como eu sei que já fui para ti.

Ademais, voltarei para minha terra, pelo mesmo caminho que vim com meus amigos. Por essas estradas, conhecera pessoas como você, corruptas de alma e coração, assim como pude ter agrado em algumas conversas passageiras. Em suma, devo-lhe dizer o quão terrível e árdua essa viagem foi para nosso físico, psicológico e emocional, mas sei que não estás interessado e nem cairá sobre o chão diante de tanta falácia e petulância, como deves estar pensando, em seu semblante calado e taciturno."

E realmente, a paralisia do negociador estava assustando-lhe, não pela tua saúde mental naquele dado momento, mas pela crueza que tal homem poderia cometer no ato seguinte.

Após 1/2 minuto, o negociante assim disse, em tom sombrio e débil:

"Gostaria de dizer-lhe que jamais imaginaria tais palavras proferidas por tua pessoa. Jamais imaginei que tu tivestes uma imagem tão cruel e odiosa acerca da minha pessoa, por maior que seja a quantidade de erros que eu cometera no passado. Afinal, como tu mesmo me dissestes: quem nunca cometeu erros? Quem nunca foi perdoado quando não devia ou perdoou quando não devia? Quereria que entendestes minha solidão, assim como compreendera tantas outras vezes. Depois da morte da minha amável esposa, desacreditei em tudo e em todos, até mesmo em ti, meu eterno amigo. Andei por rodovias tão escuras que não imaginarias o quão sofrível fora esse caminho, para mim. Diferentemente de ti, caminhei sozinho através das cidades, procurando alento em cada ato, em cada minuto, em cada momento que permaneci vivo. Passei fome, senti dor, frio, cansaço, assim como fui tomado por uma terrível solidão, da qual espero nunca mais encontrá-la e vivê-la.

Estive com tanto medo da morte que jamais pensava sobre o quão imaturo, covarde e impulsivo eu agi com ti, só parando pra refletir meses após a minha chegada. Rezei em diversas igrejas por onde passara, procurando por um amigo tão bondoso e honroso como ti, mas como tu podes perceber, estou desesperançoso quanto à tudo e todos, portanto, de nada mais serve as pessoas para mim, tirando os esporádicos jogos de baralho, bingo ou uma partida de bilhar no bar aqui perto. Utilizo-as como degraus, dos quais subo pouco à pouco para chegar no topo. É estranho manipular de tal forma a raça humana e saber, com total lucidez, do quão corrompido eu estou pela ganância e pelo poder. Mas o que hei de fazer? Como mudar o que tornei-me por conta dos caminhos que escolhi e caminhei? Nada hei de fazer, senão embriagar-me com essa consciência misantrópica que consome minha pessoa, assim como parece consumir-lhe também.

Como tu vês, teu tesouro, lamentavelmente, não pertence mais a mim. Vendi para negociantes, que ofereceram-me um preço alto. Não tive como resistir à essa tentação, o poder sussurrou-me no ouvido e sucumbiu minha alma até conseguir vendê-lo, com muito dó. Já pensei no quão errante fui contigo e com outros inivíduos que jamais mereciam minha misantropia, mas tive que me acostumar com os erros cometidos, para assim, não entrar num êxtase de loucura. Estive próximo do suicídio, por diversas vezes; a solidão já me consumiu de tal maneira que fui obrigado à aniquilar minha própria companhia, chegando no ápice do vazio que um homem pode chegar, embriaguezes das quais jamais quero ter que reviver. Eis minha conclusão, diante disso tudo: estraguei com tantas vidas, assim como meia dúzia de homens inescrupulosos e sem coração algum fizeram comigo, levando-me à crer que fui rebaixado através do sofrimento que vivera. Quanto ao teu sofrimento, peço-lhe sinceras desculpas, por mais que eu saiba que não vai aceitá-las."

Após o diálogo, os dois apenas caíram sobre o lamaçal que ali estava formado, entregando-se ao frenesi emocional que as declarações lhes impuseram, assim como a terrível lembrança de outrora, no qual ainda eram capazes de sorrir no pôr-do-sol.

A tragicomédia da vida

Corrói-me pensar nas insignifâncias em que já me deparei durante minha vida; essa banalidade ocasional que traz-nos à realidade, submersa através da utopia. Poderia encontrar na realidade um verdadeiro escape, um sentido, uma válvula que pudesse transformar meus dias cinzentos numa claridade arrebatadora; mas nunca encontrei-a e receio nunca conseguir encontrá-la. Daí surge a necessidade da utopia imaginária, dos pensamentos fantásticos, das ilusões permanentes. Sei que jamais um ser humano comum, conseguirá lucidamente ir de encontro com o sentido(ou falta de) que faz-se a vida; uma pessoa assim, só tem dois fins: o suicídio ou/e a loucura. E como nossa sanidade permite representar esses pensamentos, optamos pelo caminho fácil: das (des)ilusões.

Estamos inseridos numa tragicomédia tão grande quanto os filmes do Tarantino, mas sendo ainda pior; enquanto cinema geralmente trata-se de ficção(podendo refletir aspectos reais), a vida trás consigo uma crueza mórbida e indestrutível, real e palpável. Poderíamos acreditar na tragédia quando vivemos e sofremos em demasia, e consideramos cômica quando estamos no pólo contrário, ou na pior das hipóteses, vendo outrem sofrer. É por isso que costumo dizer: na dor conhecemos nossos amigos, na alegria não conhecemos ninguém, nem mesmo nossa própria identidade.

Um eterno apocalypse

Quando o sofrimento vai, a dor permanece. Quando o amor vai, a angústia paralisia nossas vidas, estipulando limites amedrondatores. E quando o raio de sol finalmente aparecer, seremos tomados por uma chuva torrencial, avassaladora, arrebatadora. Talvez estejamos próximos do Apocalypse, ou sendo mais pessimista com uma grande dose de realismo, talvez já estejamos nele. Estamos em um eterno apocalypse moral, espiritual, humano, social. A busca insaciável pelo poder, domínio e pelo dinheiro parecem inacabáveis, e meu maior desejo seria, somente, ver um desastre tão grande que pudesse ser capaz de destruir nossas crenças mais sólidas, nossas ilusões mais protegidas pelo véu da mentira. Frente à verdade, estaremos ali; indefesos , frágeis, insanos, corrompidos até a alma pela nossa ganância pelo nada; a verdade dói e para não sofrermos mais do que já sofremos, nos iludimos com a vida eterna, com a recompensa divina e com a bondade humana. E é isso; vivemos para acreditar e tão-somente. Somos bobos, tolos, dementes sem origem, sem fim, sem propósito, tampouco sem um lugar consolidado. E nessa eterna sina estaremos, até que sejamos capazes de tapear nossas caras e encarar a verdade.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ao lado

Tu me sufocas com tua dor
Seu sofrimento irreversível
Transforma-nos em um só
Um coração, uma alma, um espírito

Quanto estivermos perdidos
Podemos sorrir ao alento do viver
Porque prova da sanidade é a loucura
De estar distante do tudo

E no nada vamos mergulhar
Afundaremos nossos sonhos
Esqueceremos das ilusões
Para resgatar os porquês

Calmamente voltaremos
À essa tola superfície
Permeada pelos mortais
Entorpecidos pelos seus ideais

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os extremos de um encontro

Tu és tudo
Enquanto eu sou nada
Tu és dia
Enquanto eu sou noite

Tu és completa
Enquanto eu sou vazio
Tu estás alegre e sorridente
Enquanto eu estou triste e calado

Tu és o sol da alvorada
Enquanto eu sou a lua do anoitecer
Tu és a felicidade em movimento
Enquanto eu sou a tristeza em sentimento

Tu és a luz do esplandecer
Enquanto eu sou a sombra do existir
Tu moves montanhas através de seu sorriso
Enquanto eu ponho barreiras através do meu escapismo

As memórias da vida

As memórias serão destruídas
Pela linha do tempo
As dores serão aumentadas
Pelo caminho que temos

A vida sempre será
Aquilo que nunca foi
Terra de desespero e sofrimento
À espera de um alento

Como um projéctil despedaçado
Representado desejos e emoções
De um sonho repleto de falhas e lacunas
Saciando sua solidão

Quando o poeta pensar no que escrever
Esconda-se do vazio da noite
Procurando no existir e no viver
O sentido para o seu esplandescer




terça-feira, 9 de novembro de 2010

Solidão




Quis esquecer as ilusões vividas, os mistérios insolúveis. Acreditei em sonhos, atendi aos meus desejos, desafiei meus medos. Enfrentei as barreiras, suportei a dor, me esqueci do sofrimento. O tempo não muda quase nada, mas tem uma ferramenta útil para controlar nossa dor: o alívio. Tudo acaba sendo aliviado, de uma forma ou outra, mas nunca completamte curado.. Meus vícios corroem minhas noites, assim como minhas virtudes alegram os meus dias. Os demônios internos permanceem escondidos até que um divino mortal venha e os pegue, com toda santidade e amabilidade que lhes cabe.

E como os sonhos permancerão assim, afundados na agonia do imaginário, viverei o que me resta, afinal, não poderei viver outra coisa. A agonia de permanecer vagando pela solidão, sem rumo, sentido ou direção martelam minha mente e angustiam minha conciência, perdendo o próprio humano que encontra-se debaixo dos meus ossos. A solidão, que tanto desafiei ao longo da minha vida, parece minha amiga, talvez a mais presente delas; aprendi a lidar com essa condição, pois a aceitei, assim como ela me aceita. Os jogos, as conversas, as inutilidade do ser e existir, não me saciam mais da mesma forma; minha sina é essa, a solidão resgatada do fundo da minha alma que vagueia pelos horizontes ainda inexplorados. A cada dia que passa, uma nova dor palpita os meus sonhos, uma alegria esplandesce meu viver. A mesmice da vida prática, tão desprezível e irrelevantente, parece ser contrariada por esse artefato tão valioso e poderoso, mesmo que invisível à multidão.

sábado, 6 de novembro de 2010

O tédio e seus alicerces

Os requisitos da vida são, de suma sabedoria e conhecimento, maleável de ser humano para ser humano, depedendo assim, da individualidade de cada um. Os argumentos, oriundos de mentes sábias e com profundo conhecimento acerca do assunto, pode ser de total indiferença àqueles que não estão por dentro do assunto, ou, indo além, não querem saber.(adminto vossa ignorância e sua permanencia estática.) O tédio, principal inimigo da humanidade, aflora-se de diferentes maneiras, nos mais diferentes âmbitos. Por quê a cultura, um dos alicerces de maior valor à um país, não seria um resultado diferente para nosso tédio? Por quê as "conversas banais", tão praticadas pelos seres humanos, não poderia ser outra constatação desse agravante male? E, por quê a internet, tão próxima do dia-a-dia de muitas pessoas(não só os jovens, como se imagina) não pode ser outro fato demonstrando nosso vazio? A vida é preenchida pelas lacunas dos sentidos, onde, para que tudo pareça fácil e digno de prosseguimento, colocamos tais objetivos, mesmo que esse seja tão tolo e inócuo quanto nós.

Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os analgésicos da existência

Os fracassados entregam-se às mentiras de suas vidas. Empanturram-se de analgésicos naturais, como um meio benéfico para aliviar as dores vividas. O consolo para os solitários, os infelizes e os ordinários é a desgraça alheia, a miséria a nossa volta... e somente isso pode consolar tais figuras. Saber que existe alguém, em algum canto do universo, que está sofrendo muito mais que você, foi sempre um aspecto reconfortante aos humanos, mesmo que odiemos admitir. Nosso riso só é verdadeiro quando a vista é olhada pelo lado humorístico, enxergando-a como uma enorme piada(sem graça, obviamente). O fardo de existir pesa na nossa consciência e nossas angústias só são saciadas com alguma válvula de escape, pois sem elas, certamente enlouqueceríamos. Cada qual segue de sua maneira, encontrando em vias distintas, o preenchimento das lacunas internas, mesmo que no final de tudo, essas lacunas permaneçam no nosso interior.

Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A liberdade e sua dimensão


O campo da liberdade parece muito abrangente, subjetivo e vago. E quem acha isso, realmente tem razão. Limitar a liberdade em poucas palavras, ou somente em um ou dois conceitos é pouco para uma questão tão instigante e provocativa. Filósofos e intelectuais passaram anos tentando entender esse conceito, passando de Kant até o filósofo francês proliferador do existencialismo, Sartre, passando por Schopenhauer, o maior dos pessimistas. Com opiniões diferentes, cada filósofo divagou e estudou a liberdade em seus mais variados aspectos, incluindo o que mais me chama atenção: a liberdade do ponto de vista existencial. E desse ponto farei como alicerce do meu texto: afinal, o que é liberdade? Difícil entendê-la, explicá-la e, mais que isso, tê-la. Não acredito que a liberdade seja inerente à natureza humana, tampouco de outros animais; acredito que a liberdade seja uma opção, talvez a melhor delas, mas não esteja tão conectada conosco. Somos livres se quisermos ser livres, se fizermos por onde e, principalmente, se cumprirmos as obrigações morais de cada sociedade, em cada época distinta. Portanto, até mesmo a liberdade, uma de nossas maiores dádivas, está limitada às regras sociais e, mesmo que tentemos infringi-las ou burlá-las, estaremos ultrapassando a tal deseja liberdade. Indo mais além, será mesmo que a liberdade existe? Ou ela é apenas uma utopia fantasiosa e irreal, da qual tiramos proveito para nosso próprio bem-estar? Difícil dizer; impossível chegar a uma conclusão precisa e irrefutável. Apenas podemos perceber que, para termos liberdade, devemos restringir nossas vontades à um conjunto dogmático de regras, o que já infringe, mesmo que indiretamente, o conceito humano de ser livre.

domingo, 17 de outubro de 2010

A arte da vida

Necessitamos de tudo

Precisamos de pouco

Na interminável noite sombria

E até no suave amanhecer


Diante do sol estaremos

Procurando uma sombra

Ou esperando o anoitecer

Até o belo dia terminar


Continuaremos nessa estrada

Mesmo que nossos sonhos esvaziem-se

E nossa força acabe

Lutaremos como bravos guerreiros

Sonhando com uma vida melhor


Andaremos suaves como o vento

Fortes como um trovão

No escuro da solidão
E na luz da interação


No final olharei

Tudo que fizera

Os erros e acertos

De uma vaga ilusão.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os pedestres da vida

Na avenida da vida, todos são pedestres. Não importa a força, a importância, a posição hierárquica da pessoa, todos estão sujeitos às imprevisibilidades da vida. Chegamos desavisados, vivemos sabendo pouco e saímos da mesma forma. Tentativas frustradas de saber nossa verdadeira origem não passam, no final das contas, de um mero passatempo para que nos esquivemos da crueza do cotidiano. Acordar, conversar, alimentar-se, estudar, aprender, sorrir, discutir, chorar, caminhar... é isso que nos resta, e, mesmo quando estivermos descontentes com "nossa vida", permaneceremos com ela, porque é isso que temos; o cotidiano, as risadas, os choros, os encontros e desencontros da vida. E, por maior que seja nossa decepção perante a isso, estaremos com um sorriso no rosto, pela dificuldade de mudar qualquer coisa - mesmo que isso implique em nós e tão-somente. Ninguém, por mais que tente, assumirá a posição de motorista, sequer do carona ou passageiro, não pela dificuldade imposta, e sim pelas nossas próprias limitações, que, de certa forma, tornam tudo relativamente suportável, até mesmo uma intensa dor. E no final de tudo, não passaremos de atribulados pedestres, procurando um lugar, talvez um lugar inexistente...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Por quê?

Por quê o sonho, se a ilusão existe? Por quê o amor, se existe a dor? Por quê a alegria, se o sofrimento sobrepõe-se? Por que a liberdade, se a angústia nos aprisiona? Por quê a solidão, se temos a interação? Por quê os pássaros, se nos servem os bois? Por quê a posse, se nada é eterno? Por quê a futilidade, se tudo esvazia-se? Por quê a religião, se temos a ciência? Por quê o conforto, se conhecemos a verdade? Porque o remorso, se há apenas uma vida? Por quê a crença, se temos a miséria? Por quê o paraíso, quando estamos no inferno? Por quê o melhor dos mundos, se não existem outros? Por quê a vida, se nos basta a morte?

sábado, 21 de agosto de 2010

Desordem

Parafraseando a famosa música "Disorder", do Joy Division, venho lhes trazer uma pequena reflexão acerca do caos social, do artisticamente chamado "dadaísmo". Nada é mais comum em nossa sociedade que a busca pela ordem, pelo domínio, pelo poder; porém, por quê não poderíamos considerar a possibilidade do anarquismo estritamente prático e objetivo? Sem governantes, sem leis, sem hierarquia... apenas humanos aleatoriamente arremessados, regressando à nossa origem instintivamente primitiva. Todavia, mesmo sendo impossível conceber um anarquismo total e pleno em nossa sociedade atual, podemos perceber que nosso mundo é regido por leis estritamente limitadoras, com o claro objetivo de imperar uma mínima ordem em nossa espécie. Mas, se tudo isso é ilusório e criado por humanos iguais à nós, por quê uma hierararquia dominadora em busca do controle? Por quê a criação de leis, se nosso instinto animal não condiz com essa moralidade altamente controlada? Talvez, em tempos remotos, um intelectual persuadiu seu bando e impôs aquilo que hoje chamamos de "certo" e "errado"; "bom" e "ruim", fatores extremamente subjetivos, mas com a padronização crescente de pensamentos e ideiais, cada vez mais objetivos. E, a partir de então, ouve uma hierarquia errônea na sobreposição de valores, batendo de frente com nossos instintos mais primitivos. Pois bem; como uma desordem total seria inconcebível para os que amam o controle, a hierarquia e o dominio, é improvável que houvesse um retorno para nossa origem mais primitiva e racional, mesmo que isso significasse a plenutide que tanto sonhamos e jamais alcançamos.

O improbabilidade do autoconhecimento

Um jogo de fachadas constantemente ilusórias. Essa pode ser uma breve constatação do que resume-se a socialização humana. Encontramos um conjuntos de leis e dogmas estritamente explicados, para que possamos peretencer à "algum grupo". Criamos ilusões esperando a vida eterna, seja no paraíso, no inferno ou na reencarnação. Desejamos, inevitavelmente, acreditar que nosso ciclo não acaba por aqui, que temos, em uma outra dimensão, algo que está à nossa eterna espera; Para que não morramos de desgosto e nossa vida não torne-se um passatempo estritamente enfadonho e tedioso, inventamos métodos capazes de suprir esse tédio e que nos ocupe para que estejamos mais longe de nós mesmos; é esse o principal interesse. Dominados pela lingaguem, pela interação desenfreada e pelas crescentes vias de comunicação(internet, por exemplo), sentimos um enorme pesar quando estamos longe de pessoas, quando estamos junto conosco e somente. Desejamos desesperadamente uma interação, uma comunicação, algo que nos traga à frente nosso infindável desejo de nos afastar de nós mesmos. Odiamo-nos e fingimos não saber disso, para que não sejamos rotulados como "deprimidos". Acreditamos que tudo que podemos desfrutar na vida está no admirável mundo por detrás das esquinas, das ruas, dos shoppings, das festas e toda superficialidade existentente. E, quando irreversivelmente seremos nossa maior compahnia, saberemos mais dos outros do que nós mesmos.

Vazio

O vazio é inerente ao homem.

Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pensar em demasia

Não sou homem; sou dinamite.

Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.

Caos

Largando tua mão
Saberei onde encontrá-la
Sem saber onde encontrar-me
Rumando à uma intensa explosão

E quando o raio de sol ilumiar nosso caminho
Reclinaremos nosso corpo pelo tão sonhado desejo`
Enquanto as sombras penetrarão pelo vazio da alma
E nosso mundo esteja novamente desordenado

Quando soubermos o que fazer, estaremos perdidos
Porque não há nada melhor que essa imprevisibilidade
Rumando ao caos eu quero estar, longe dos estáticos
Sabendo que hei de encarar uma enorme vulnerabilidade

Nossos pés estremecem
A interminável noite coloca-se diante de nós
Tolos; fragéis; insanos
Estaremos perdidos até que haja um caminho irreversível para qual seguir

A confortabilidade da morte

A vida, apesar de todos os percausos e atribulações, não passa de um efêmero passatempo. Saber que na verdade, todos estamos condenados à um fim inevitável(morte), faz com que a vida seja uma passagem consideravelmente suportável. A morte, tão sombria e evitada por todos, é justamente o fator que atribui algum valor à vida. Se nunca morrêssemos, para quê viveríamos? Qual seria o valor da vida sem que essa houvesse um final inevitável? Pois é; mesmo que relutemos em admitir e, por muitas vezes, amedontramo-nos perante a morte, ela é o que faz de tudo minimamente suportável; saber que as dores pessoais, as angústias criadas ao longo da vida terão um fim, é, no mínimo, reconfortante. Por isso, não sei porque uma necessidade praticamente doentia à procura de uma religião e uma falsa concepção da vida eterna; a morte é o melhor que a vida nos oferece, e conceber uma vida eterna, na minha opinião, seria, no mínimo, altamente aterrorizante. Portanto, não temo a morte como muitos. Vivo meu curso biológico, mas sem temer o inevitável, que, fatalmente, transformará minha existência em mais uma de tantas inexistências.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Estrada da Vida

Preso no suspiro, no olhar
Movido pelo sonho da ilusão
Caminhando e marchando, sem hora para terminar
Sozinho no escuro, encurralado pela decepção

Na estrada do mal, encontro inimigos
Na estrada do amor, encontro paixão
Na estrada do bem, encontro amigos
E na estrada da vida, encontro uma lição

Solitário, nessa estrada eu vou andar
Sem rumo, sem volta e sem direção
Para um caminho eu encontrar

O reflexo do espelho, reluz o brilho do olhar
As perdas, as conquistas e os sonhos
Para um dia eu encontrar

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sobre o blog... E sobre o autor

Um post tardio sobre os "motivos do blog" e um pouco sobre eu, mas antes tarde do que nunca. Criei esse espaço para publicar minhas reflexões, meus pensamentos, meus textos ou tudo que considere útil para ser postado. Não tenho pretensão alguma de modificar o jeito de pensar de outrém, tampouco agredir verbalmente. Apenas escrevo aquilo que me dá na telha, delírios aparantementes nonsenses de alguém potencialmente insatisfeito, observador e reflexivo. Não sou perfeito, aliás, considero-me extremamente longe da perfeição(assim como qualquer ser humano.) Meus interesses maiores são sobre cinema, filosofia e psicologia. Porém, também interesso-me por jornalismo, literatura, direito e ciências, com menor potencial. Sou um ateu agnóstico(não creio em Deus pela insuficiência de evidências consideráveis), contudo, jamais admitirei ter conciência absoluta da inexistência dessa entidade, só que, ante o conforto proporcionado pela religião, uma necessidade instintiva pela busca da verdade. Ademais, sou cético(portanto, acredito que seja impossível ter certeza absoluta acerca da verdade). Estarei sempre aberto à qualquer tipo de debate, desde que haja um respeito e restrições quanto às famosas falácias. Apesar da minha natureza em busca pela verdade limitada, admito que não é o jeito mais fácil de lidar com o que nos rodeia. Quando minha ótica honesta esvazia todas as ilusões existentes(inclusive as mais sólidas e intocáveis), há uma amarga constatação do vazio emergente sobre aquilo que consideramos "tudo". Talvez eu seja um realista terrivelmente sombrio, porém, jamais conseguiria restringir-me à superficialidade da minha pessoa e não usar o mais precioso dom que nos foi concebido.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Amizade Verdadeira?

Baseando-me no famoso rótulo de "amigos verdadeiros", iniciarei meu texto retratando até que ponto essa tão valiosa amizade, é capaz de aguentar. Diante da bajulação, da supervalorização e dos bons momentos vivenciados com seu melhor amigo, estaremos extremamente longe de qualquer constatação verdadeira sobre o que tal indivíduo realmente pensa sobre nosso respeito. Os bons momentos são aproveitados, conversas são ampliadas(pois estará com seu mais valioso amigo, ora) e até os momentos mais complicados, servirão como prova firme do valor da sua amizade. Porém, ora ou outra, acontece uma briga da qual ambas as partes não esperavam, mas acabou ocorrendo. O real valor da amizade está em questão(para ambos os lados). Suponhemos que determinado indivíduo descubra que seu melhor amigo, aplicou uma traição, não só contra outrem, mas contra a amizade em si. Dentro desse contexto, o primeiro amigo(o traído), dificilmente aceitará prováveis desculpas, desfazendo, pelo menos por momentos, o laço de amizade. Por outro lado, o segundo amigo(o traidor), arrependido, pedirá desculpas e tentará se redmir a qualquer custo(mesmo sabendo que não admitiria sendo com ele). A partir dessa situação hipotética, porém possível, leva-nos a crer que, apesar dos inúmeros bons momentos desfrutatos durante a realação recíproca entre ambos, nada voltará a ser como antes, por causa de um erro cometido. Outro ponto questionável, a sobreposição da maldade(no caso, o erro do amigo)à bondade(os bons momentos desfrutados, as conversas valiosas, os segredos mantidos etc.). E quando o inevitável afastamento for consolidado, finalmente saberemos o que o "verdadeiro amigo" sempre pensou sobre nós, mas guardara para si, ante uma possível discussão inválida, na qual só desmascararia, o significado da suposta amizade.

Parábola do recipiente vazio



Recipientes vazios aceitam qualquer coisa. Seja um suco, biscoitos, refrigerante ou até mesmo ignorância. Dentro desses recipientes, há, no processo de preenchimento, uma total falta de critério perante à absorção. O recipiente absorverá qualquer tipo de elemento; seja ele certo ou errado; bom ou ruim; profundo ou superficial; legal ou chato. Não interessa, pois ao recipiente vazio, qualquer elemento é válido, mesmo que seja maléfico para si mesmo. Recipientes também aceitam ilusões irracionais, ignorância alheia e mentiras mascaradas. No processo de esvaziamento, no entanto, há um método bastante inusitado: não contente com o preenchimento de tais contribuintes, o receptor, esvazia os elementos antes mesmo de assimilar seus efeitos e suas possíveis consequencias. Diante da superficialidade não assimilada pelo receptor, há, claramente, uma total falta de sentido para tudo que tivera absorvido, ao passo que esvazia os elementos de forma abrupta e radical. Quando isso ocorre, há para o receptor, uma amarga tristeza, constatando que entrou no processo vazio e saiu do mesmo modo, sem qualquer tipo de retenção benéfica.

Sobre a realidade e o nada

Existimos em um imenso e abrangente nada, no qual denominamos "universo". Nascemos, aprendemos à andar, falar, e, mais futuramente, ter conciência sobre o amplo contexto social em que vivemos. Dentro dessa linha racional, somos praticamente incapazes de colocar nossos pés no chão; não por ser difícil visualizá-lo, mas sim por ser difícil encará-lo. Acreditar no concreto, no real, é tão difícil quanto controlar seus sentimentos, por maior que seja seu esforço. Diante desse esvaziamento praticamente inconcebível de nossas ilusões mais sólidas, estaremos frente à realidade. Mas, afinal: O que é realidade? Apagando todas as ilusões existentes, só nos resta uma real e verdadeira constatação: o nada. E admitir tal postura não me coloca como um ser pessimista, tampouco derrotista. Apenas, tratando-se do assunto realidade, é somente uma constatação óbvia, ao passo que ao esvaziarmos nossas ilusões ao zero, não sobrará nada além do imenso vácuo resultante dos processos conseguintes. Portanto, admitir a realidade, nada mais é que pisar na verdade, que diferentemente do conceito geral, não é sólido, tampouco duro. É apenas um enorme vazio, onde até nossas crenças mais convictas, estão guardadas no armário das ilusões.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A personalidade do "ninguém"

Como já tivera visto em um blog, eu, particularmente, prefiro a figura do "ninguém" à do "alguém". Exemplificando de maneira mais clara, em uma sociedade onde qualquer idiota é capaz de tornar-se famoso, ter sucesso e ser prestigiado às custas da ignorância humana, sempre visualizei com uma certa admiração, a figura da personalidade implícita. O sujeito que não encaixa-se em rótulos comumente usados, geralmente individualista, rejeitando qualquer ignorância bombardeada contra si. É a típica pessoa que, apesar de estar inserida na sociedade, sente um enorme desconforto perante à inúmeras formalidades inúteis e ilógicas, focalizando em suas próprias ideias e convicções. Esses sujeitos, em sua maioria, assistem televisão, utilizam a internet como interação social e jogam games banais como qualquer outra pessoa. A única diferença, no entanto, é a maneira de visualizar o mundo e as pessoas, ampliando sua percepção diante da realidade, permintindo-os, melhor entendimento acerca dos mistérios científicos, empíricos, filosóficos e até mesmo religiosos. Por isso, há, no modo humano de amplificar seus conhecimentos, uma facilidade rotineira à essas pessoas em pensar e vivenciar melhor suas próprias vidas.

Acaso

Somos vítimas do acaso. E admitir tal condição não requer grande dose de reflexão ou pesquisa, já que por si só, carecemos de sentido existencial. Não há quando nascemos, um método comprovado que decifre nosso sentido dentre todas as imprevisibilidades da vida. Nascemos, sobrevivemos(existimos) e morremos(quando deixamos de existir, pelo menos do ponto de vista biológico). Não há mistério, ambiguidade ou dúvida quando constatamos nossa existência(aplicando-se, somente, à termos físicos). Não somos mais especiais e/ou mais importantes que outros seres vivos; nos colocar à frente das plantas, do boi ou da vaca, seria prepotente demais considerando a proporção gigantesca que o universo abrange. Mas por simples desejo de tornar tudo que nos rodeia mais fácil e manipulável, acreditamos ser o centro do universo, da vida, da criação divina. É mais fácil ter essa falsa-ideologia existencial, do que admitir que somos apenas um grande acaso ocorrendo dentro do universo.

Pessoas são estranhas.

"People are strange". Já dizia o poeta musical Jim Morrison, no título de uma das mais famosas músicas do The Doors. E, de fato, pessoas são estranhas. Seja nos hábitos diários, nos costumes culturais ou no vício coletivo; não seguimos uma linha de raciocínio, porque nos custa enxergar o óbvio e o essencial, como os outros seres vivos costumam fazer. Criamos atividades desnecessárias, programas culturalmente pobres e obrigações completamente nonsenses. Estamos cercados pela lei da massa, pelas conveniências sociais e pela ética moral de nosso sistema. Não podemos fugir, escapar ou mesmo nos esconder. Essa é nossa sina. O caminho derradeiro pelo curso da vida, no qual, muitas pessoas preferem acreditar "ser bom", pela confortabilidade oferecida por essa ótica distorcida da realidade. Na verdade, não há uma ótica real e verdadeira, porque tudo não passa de um amplo relativismo ; mas particularmente, eu acho melhor ser insatisfeito à satisfeito; os insatisfeitos buscam respostas reais - mesmo que elas lhes tragam um pouco de amargura; já os satisfeitos, permanecem estáticos com suas opiniões, impedindo que o benefício da dúvida seja discutido e que estejamos mais próximos da verdade.

Fragilidade


O vazio da nossa vida é apenas um reflexo da nossa própria existência. Há, principalmente na sociedade contemporânea, um menosprezo diante da constatação do tédio; isso porque não é o tédio que tanto nos incomoda; o que nos incomoda, na verdade, é a concientização que inúmeros passatempos criados(video-game, filme, literatura, baralho etc.) não são capazes de sanar por completo, nosso inevitável abismo diante da realidade. Por isso, filosofia costuma nos aborrecer tanto, pois, frente à nossa vulnerabilidade, há uma amarga constatação que criamos passatempos banais para suportarmos de maneira mais digna, a nossa existência. Enquanto animais lutam, guerream e devoram-se pela busca da sobrevivência(que no fundo, é só o que importa), nós, dotados de inteligência e racionalidade, somos incapazes de vivenciar uma realidade sem nenhuma comodidade moderna, reforçando a tese da nossa imensa fragilidade perante à vida.