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segunda-feira, 28 de março de 2011

seguir

tentar quebrar os caminhos, desvendar os medos, mergulhar na dor. é sempre difícil analisar quando se está longe. seu palpite nunca será certeiro, assim como seu silêncio é inadequado. seu fardo é existir e não entender. não entender os motivos que mataram suas crenças, que findaram sua vida.

você dorme e pensa na desgraça. acorda e bebe água, só pra romper algo incerto, ainda enigmático. espera dormir pra sempre, ou até sua alma triunfar com sua mente. você compreende que nunca amou ninguém, você captura os sentimentos de uma noite solitária.

o barulho da coruja faz você pensar. estranho: um apito ecoa em sua mente, tudo parece ensurtecedor, até que você simplesmente desiste dessa busca. você resolve ser que nem os outros, andar pelos corredores, caminhar por aí, morrer aos poucos.

domingo, 20 de março de 2011

Indizível

Necessito escrever, sobre algo indizível. Perdi essa vontade de entender, tudo aquilo que gostaria de perceber. Decidi aceitar os caminhos que seguimos, essa trajetória tortuosa da qual prosseguimos. Procurei aceitar as escolhas que fizera, compreender os erros que tivera, para facilitar minha aceitação. Odiei, amei, vi, me assustei. Assustei-me pelos fantasmas que encontrei, pelas renúncias que escolhi, pelas pessoas que abriguei.

Escondi minha alma no poço da perdição, triturei minha convicção. Sabia que havia destruído o meu eu, entendi que só sobraria uma matéria, tão indizível quanto todos, tão fraca quanto os tolos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Carência

Sofri por ausências. Carente de amor, carinho, amigos, sonhos e ilusões. Chorei pelo desconhecido, pelo indeterminável, pelas coisas das quais não conseguimos entender. Caminhei por cidades estranhas, escuras, sombrias, tristes. Substitui minha rotina por aquilo que fazia-me vivo, pelos pensamentos renovadores, pelas pessoas que marcaram os meus caminhos.

Eu sabia que minhas carências voltariam...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Das peculiaridades

Fascina-me pensar no sofrimento emocional de cada ser. Suas dúvidas, assim como suas certezas, são adoráveis e estranhamente instigantes, pelo menos para mim. Sempre tive uma ligação bizarra com sentimentos estranhos, atribulados, sofríveis; da alienação urbana ao rompimento de um simples namoro, não há como afastar-me desses temas. Os normais, os felizes, os alegres pela vida não me atraem, como nunca conseguiram me atrair; diferentemente das pessoas atormentadas, conturbadas, errantes; àquelas cujos caminhos estão traçados pela perdição, pelo vícios prejudiciais e gosto pelo dark. Os seres cujo sofrimento emocional ultrapassaram uma certa cota e ainda assim permanecem vivos são de admirar, assim como os suicidas que se foram cedo. Não é à toa que personagens torturados de toda a cultura são meus maiores ídolos; Kurt Cobain e Ian Curtis na música, até os filósofos da descrença, Nietzsche e Schopenhauer.

Porque ser feliz é básico, é fácil, um tédio sem tamanho. Mas viver obrigado, sufocado e no auge da angústia existencial é uma tarefa masoquista e, claro, fascinante.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Morra jovem, permaneça belo

Fascina-me os que morrem cedo
Na certeza da conquista
Dos ideais que já tiveram
De uma noite sem saída

Na escuridão dos assassinos
Ou na amargura dos poetas
O sofrimento é permanente
Como uma vida sem presente

Aproveitar o leito da morte
É mergulhar no seu legado
Apagar o seu futuro
P'ra esquecer do seu passado

Esquecer da tua vida
Como os heróis que já se foram
E os mitos que nasceram
Através de sua morte



OBS: Título retirado da frase do ex-vocalista do Nirvana, Kurt Cobain.

A aflição do sentir

Nasce um novo espírito. Corrói-me pensar nos fantasmas que me assombram, nos demônios que me envolvem. Frustra-me dizer que os sonhos se foram, que a realidade sucumbiu minha memória. Culpo-me pelos sentimentos de hoje, surgidos de uma ação em outrora, capaz de tirar meu sono, de cada noite, com a certeza que jamais voltarei no tempo.

Penso na noite que tivera, na realidade que vivi. Seria um oceano demasiado grande para um turbilhão de sentimentos? Asseguro-me das dúvidas, como um leão arremata sua presa. Errei tanto que faltou-me palavras para desculpar e ações para realizar. Poderia eu apagar pessoas da memória, esquecer fatos da minha existência? Quis sufocar o indomável, apagar as chamas de um vulcão, martirizar um mero pecador.

Procurei pelos cantos, os vestígios do que nunca acontecera. Senti nos ossos minha insônia ferir o orgulho, minha dor latejar no fundo da alma. Sabia que o eterno não aconteceria, meu desespero surgiria, no próximo dia

domingo, 2 de janeiro de 2011

No escuro, tudo fica mais claro

Na solidão da madrugada é que os homens conhecem seus verdadeiros demônios. Eu, por exemplo, sou um desses caras. Troco o dia pela noite nas férias, pelo simples apreço que tenho pela madrugada e seus alicerces. O silêncio, a solitude, tudo é processado de melhor maneira, não é à toa que grande parte dos meus textos são escritos nesse horário. Enquanto todos dormem, eu consigo organizar meus pensamentos, reavaliar meus desejos, redefinir meus gostos. O silêncio proporciona uma sensação unica, da qual poucas vezes podemos experimentar no dia-a-dia... Em contrapartida, os fantasmas estão mais intensos, pois frente à si mesmo, não pode renunciá-lo como faz no decorrer do dia. É preciso mergulhar, adentrar, afundar, para que sua volta seja gloriosa e possa desmistificar alguns desses tormentos. E só assim, finalmente, é possível dormir; exorcisando meus demônios, para que minha mente esteja em perfeita sintonia com minha parte biológica e repetir tal hábito dia após dia.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O caminho

Aquele caminho era demasiado sombrio para explorar. Os sonhos estavam submersos por uma sombria capa de plástico. Nada daquilo parecia real, digno de existir. Tudo ainda estava distante dos sonhos que tivera, daquilo que um dia imaginei como solidão. Era muito além de qualquer projeto humano. O túnel estava sendo tomado por um silêncio jamais experimentado, por palavras ainda não pronunciadas. O breu parecia interminável naquela reta, talvez porque aquele túnel fosse realmente infinito. Ficara com medo de adentrar por aquele local até então desconhecido, escuro, quiçá até assombrado. Meu coração palpitava intensamente, como uma cigarra cantarolando num belo alvorecer. Era o único som que escutava. O barulho do coração chocando-se contra o peito pareciam verdadeiras explosões, apoteoses naturais, provavelmente amplificado pela sensação momentânea. Entretanto, lembro-me que acordei, nesse exato momento... levando-me à recordar que solidão verdadeira não existe, não nesse mundo. Infelizmente.

2011 (ou mais um dia qualquer)

A transição entre os anos sempre pareceu um dia normal para mim. Não culturalmente, porque sempre há aquela tradicional reunião entre familiares, foguetório, bebedeira... digo objetivamente mesmo. As coisas não serão melhores ou piores porque mudamos de ano e pronto. As pessoas vão deixar de sofrer porque desejamos "votos de paz" ou não ficaremos ricos por causa de lentilhas. Podemos gostar do gosto das lentilhas e preferir pedir um "feliz ano novo", mas nada disso, de fato, irá mudar alguma coisa. O que realmente poderá mudar, são as nossas atitudes, os nossos gostos, os nossos amigos... tudo isso pode(e costuma) mudar, de ano para ano. E não pensemos que é por causa de uma virada anual culturalmente inútil... é somente porque é uma das leis da vida; a mudança. Assim como muita coisa provavelmente mudará em 2011, muita coisa mudou no decorrer de 2010. É somente uma data, mas como as pessoas têm uma inexplicável necessidade de festas, manutenção de tradições antigas e orações positivas, comemoramos a virada anual como uma data realmente especial. Vestimos brancos, pulamos 7 ondas e usamos cuecas novas (generalizando as tradições mais comuns). Mas o que vale, no final, é reunir os familiares, curtir o primeiro porre do ano e curtir o bom e velho rock and roll. Porque o resto, é resto...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O ápice da solidão

Você olha pro lado, não vê ninguém. Olha pro outro e só enxerga sua própria sombra. O quão solitário um ser humano pode ser? A qual nível de solidão existencial e física alguém é capaz de suportar? Eu, naturalmente, sempre fui um indivíduo um pouco afastado da maioria, nos dois aspectos (físico e existencial) Porém, o primeiro deles - o físico - nunca sequer me incomodou, tirando momentos de isolamento extremo. Agora, o segundo, é sim aterrorizante e amedrontador. Saber que existem pessoas que estarão do seu lado para apoiar-me nas dificuldades e para rir das vitórias é um consolo... Mas e quando essas pessoas, sendo mais específico, esses amigos, cuidam das suas próprias vidas? É uma maré de desgosto rondando à sua volta. Aqueles seus amigos, cujas conversas gravitavam em torno da solidão existencial do homem, não estão mais assim. Você não "divide" sua solidão com os outros. Apenas diminuiu seus contatos e, para suprir tal carência, é necessário que haja uma pessoa tão solitária quando você para lhe deixar, no mínimo, contente. Mas aí eu pergunto: E quando não sobra nenhum amigo? Quando, indubitavelmente, seus melhores amigos estão vivendo suas próprias vidas, namorando, se divertindo, enquanto você ainda está afundado na lama? Juro que não sou tão egoísta à ponto de não ficar feliz por ele, ora, pelo menos saíram do buraco que implica na solidão. Em contrapartida, com quem podemos dividir nesse momento de distância minhas angústias mais profundas? É nesse momento que um ser humano fica se perguntando se a solidão é realmente um privilégio dos espíritos eminentes ou somente uma condição dos fracos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Solidão




Quis esquecer as ilusões vividas, os mistérios insolúveis. Acreditei em sonhos, atendi aos meus desejos, desafiei meus medos. Enfrentei as barreiras, suportei a dor, me esqueci do sofrimento. O tempo não muda quase nada, mas tem uma ferramenta útil para controlar nossa dor: o alívio. Tudo acaba sendo aliviado, de uma forma ou outra, mas nunca completamte curado.. Meus vícios corroem minhas noites, assim como minhas virtudes alegram os meus dias. Os demônios internos permanceem escondidos até que um divino mortal venha e os pegue, com toda santidade e amabilidade que lhes cabe.

E como os sonhos permancerão assim, afundados na agonia do imaginário, viverei o que me resta, afinal, não poderei viver outra coisa. A agonia de permanecer vagando pela solidão, sem rumo, sentido ou direção martelam minha mente e angustiam minha conciência, perdendo o próprio humano que encontra-se debaixo dos meus ossos. A solidão, que tanto desafiei ao longo da minha vida, parece minha amiga, talvez a mais presente delas; aprendi a lidar com essa condição, pois a aceitei, assim como ela me aceita. Os jogos, as conversas, as inutilidade do ser e existir, não me saciam mais da mesma forma; minha sina é essa, a solidão resgatada do fundo da minha alma que vagueia pelos horizontes ainda inexplorados. A cada dia que passa, uma nova dor palpita os meus sonhos, uma alegria esplandesce meu viver. A mesmice da vida prática, tão desprezível e irrelevantente, parece ser contrariada por esse artefato tão valioso e poderoso, mesmo que invisível à multidão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pensar em demasia

Não sou homem; sou dinamite.

Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sobre o blog... E sobre o autor

Um post tardio sobre os "motivos do blog" e um pouco sobre eu, mas antes tarde do que nunca. Criei esse espaço para publicar minhas reflexões, meus pensamentos, meus textos ou tudo que considere útil para ser postado. Não tenho pretensão alguma de modificar o jeito de pensar de outrém, tampouco agredir verbalmente. Apenas escrevo aquilo que me dá na telha, delírios aparantementes nonsenses de alguém potencialmente insatisfeito, observador e reflexivo. Não sou perfeito, aliás, considero-me extremamente longe da perfeição(assim como qualquer ser humano.) Meus interesses maiores são sobre cinema, filosofia e psicologia. Porém, também interesso-me por jornalismo, literatura, direito e ciências, com menor potencial. Sou um ateu agnóstico(não creio em Deus pela insuficiência de evidências consideráveis), contudo, jamais admitirei ter conciência absoluta da inexistência dessa entidade, só que, ante o conforto proporcionado pela religião, uma necessidade instintiva pela busca da verdade. Ademais, sou cético(portanto, acredito que seja impossível ter certeza absoluta acerca da verdade). Estarei sempre aberto à qualquer tipo de debate, desde que haja um respeito e restrições quanto às famosas falácias. Apesar da minha natureza em busca pela verdade limitada, admito que não é o jeito mais fácil de lidar com o que nos rodeia. Quando minha ótica honesta esvazia todas as ilusões existentes(inclusive as mais sólidas e intocáveis), há uma amarga constatação do vazio emergente sobre aquilo que consideramos "tudo". Talvez eu seja um realista terrivelmente sombrio, porém, jamais conseguiria restringir-me à superficialidade da minha pessoa e não usar o mais precioso dom que nos foi concebido.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A personalidade do "ninguém"

Como já tivera visto em um blog, eu, particularmente, prefiro a figura do "ninguém" à do "alguém". Exemplificando de maneira mais clara, em uma sociedade onde qualquer idiota é capaz de tornar-se famoso, ter sucesso e ser prestigiado às custas da ignorância humana, sempre visualizei com uma certa admiração, a figura da personalidade implícita. O sujeito que não encaixa-se em rótulos comumente usados, geralmente individualista, rejeitando qualquer ignorância bombardeada contra si. É a típica pessoa que, apesar de estar inserida na sociedade, sente um enorme desconforto perante à inúmeras formalidades inúteis e ilógicas, focalizando em suas próprias ideias e convicções. Esses sujeitos, em sua maioria, assistem televisão, utilizam a internet como interação social e jogam games banais como qualquer outra pessoa. A única diferença, no entanto, é a maneira de visualizar o mundo e as pessoas, ampliando sua percepção diante da realidade, permintindo-os, melhor entendimento acerca dos mistérios científicos, empíricos, filosóficos e até mesmo religiosos. Por isso, há, no modo humano de amplificar seus conhecimentos, uma facilidade rotineira à essas pessoas em pensar e vivenciar melhor suas próprias vidas.