segunda-feira, 21 de março de 2011

Rotina

Gosto amargo na boca. Distância de tudo. Fadiga mental, promovida pelos desgastes da vida. Uma hora você cansa de ser bonzinho. Depois, pouco tempo depois, você cansa de sofrer por ausência, pelos amores platônicos e incompletos. Você percebe que sua vida é sempre igual. Sua segunda-feira é chata, você vai ao colégio, esperando acontecer algo de maravilhoso; mas nada acontece. Tudo permanece igual, nas mesmas posições, como se não houvessem sido tocadas. Você acorda nos outros dias e sente-se igual, no mesmo grau de fadiga, no mesmo desânimo da sua última noite. Sua paquera da semana não dá bola pra você, alguma amizade é abalada pelo nervosismo.

Chega sexta-feira e você sente-se novo. Decide decide sair com os amigos, curtir uma noite, que seja. Quer encontrar alguém, não sei, uma garota que lhe faça sorrir no dia seguinte. Mas não é bem assim. Você bebe demais, fuma demais e acorda de ressaca no dia seguinte. Sua cabeça dói, seu corpo está cansado, além da amarga sensação de que é tudo muito fugaz, vazio, indomável. Gostaria de parar o relógio por algumas horas, só pra entender sua posição no mundo. Mas ele não para e você continua, nadando com a maré, indo onde os tolos vão. Sua vontade é de sumir, morrer, deixar de existir por alguns instantes. Mas isso não é possível. Você acorda no dia seguinte, puto por ser domingo. Aquele dia onde não passa nada na tv, o famoso dia do churrasco em família. Todos rindo, bebendo cerveja, gozando das suas vidas. Isso porque, no fundo, bem no fundo de suas mentes, há uma sensação de vazio. Falta do quê dizer, do quê fazer. Ausência pelo que ainda não foi descoberto.

Porque viver é isso. Andar e andar, até você perceber que está no mesmo lugar, mas sufocado porque não pode parar.


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