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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Das peculiaridades

Fascina-me pensar no sofrimento emocional de cada ser. Suas dúvidas, assim como suas certezas, são adoráveis e estranhamente instigantes, pelo menos para mim. Sempre tive uma ligação bizarra com sentimentos estranhos, atribulados, sofríveis; da alienação urbana ao rompimento de um simples namoro, não há como afastar-me desses temas. Os normais, os felizes, os alegres pela vida não me atraem, como nunca conseguiram me atrair; diferentemente das pessoas atormentadas, conturbadas, errantes; àquelas cujos caminhos estão traçados pela perdição, pelo vícios prejudiciais e gosto pelo dark. Os seres cujo sofrimento emocional ultrapassaram uma certa cota e ainda assim permanecem vivos são de admirar, assim como os suicidas que se foram cedo. Não é à toa que personagens torturados de toda a cultura são meus maiores ídolos; Kurt Cobain e Ian Curtis na música, até os filósofos da descrença, Nietzsche e Schopenhauer.

Porque ser feliz é básico, é fácil, um tédio sem tamanho. Mas viver obrigado, sufocado e no auge da angústia existencial é uma tarefa masoquista e, claro, fascinante.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A aflição do sentir

Nasce um novo espírito. Corrói-me pensar nos fantasmas que me assombram, nos demônios que me envolvem. Frustra-me dizer que os sonhos se foram, que a realidade sucumbiu minha memória. Culpo-me pelos sentimentos de hoje, surgidos de uma ação em outrora, capaz de tirar meu sono, de cada noite, com a certeza que jamais voltarei no tempo.

Penso na noite que tivera, na realidade que vivi. Seria um oceano demasiado grande para um turbilhão de sentimentos? Asseguro-me das dúvidas, como um leão arremata sua presa. Errei tanto que faltou-me palavras para desculpar e ações para realizar. Poderia eu apagar pessoas da memória, esquecer fatos da minha existência? Quis sufocar o indomável, apagar as chamas de um vulcão, martirizar um mero pecador.

Procurei pelos cantos, os vestígios do que nunca acontecera. Senti nos ossos minha insônia ferir o orgulho, minha dor latejar no fundo da alma. Sabia que o eterno não aconteceria, meu desespero surgiria, no próximo dia

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Um devaneio qualquer

Pairou-se um vazio sobre mim. Descomunal, alarmante, arrasador. Ocorreu-me que viver é uma sorte e um azar, ao mesmo tempo. Estamos sujeitos às alegrias da vida, assim como às tragédias. É um paradoxo de caminhos. Você se cansa por não saber os porquês da vida, mas se os soubesse, acabaria com a graça de tudo. É como um truque de mágica; se soubéssemos o segredo por trás do show, não iríamos mais assistí-lo. A existência humana, pode ser fugaz e veloz, como também pode ser duradoura e sofrível. Isso dependerá das peculiaridades de cada ser, das peculiaridades ínfimas de cada vida presente aqui na Terra. Desde a pequena semente no fundo de cada plantação até a possível existência de uma entidade superior, tudo é misterioso, tudo é miraculoso. Do vazio humano, surgem os hábitos e vícios; a fissura por um café e cigarro ou o desejo de um bate-papo informal. Mas a lacuna sempre estará presente em nossa rotina, por mais que não a vejamos.

Ocorreu-me, enquanto filosofava sobre esses aspectos, que nossa vida é tão significante(ou insignificante, depende do posto de vista) quanto à de parasitas invisíveis ou animais ferozes. Só preferimos esconder esse fato pelo inconveniente que essa nova concepção de mundo traria em nossa vaga existência. Assim como esse fator um tanto quanto óbvio, pensei no sofrimento humano, nas angústias de cada ser. É inevitável que não nos sensibilizemos com morte, dor, alienação, enfim, todos os aspectos miseráveis presentes nesse mundo. E novamente, há o paradoxo da alegria e da tristeza; do êxtase e da dor; da felicidade e do sofrimento; e por aí vai.

Até os seres humanos mais inteligentes, foram sucumbidos pela dor da existência. Ou será que as relações evidentes entre genialidade e loucura são meras coincidências? Os insanos, os atormentados, são os que mais ofereces, pois descrentes perante a vida e as pessoas, fazem de tudo para mudar esse panorama angustiante.

Pensando em todos esses temas, ocorreu-me outra conclusão, agora pra finalizar: Os mais felizes são os que estão mais longe da própria existência, correndo de si mesmo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

O caminho

Aquele caminho era demasiado sombrio para explorar. Os sonhos estavam submersos por uma sombria capa de plástico. Nada daquilo parecia real, digno de existir. Tudo ainda estava distante dos sonhos que tivera, daquilo que um dia imaginei como solidão. Era muito além de qualquer projeto humano. O túnel estava sendo tomado por um silêncio jamais experimentado, por palavras ainda não pronunciadas. O breu parecia interminável naquela reta, talvez porque aquele túnel fosse realmente infinito. Ficara com medo de adentrar por aquele local até então desconhecido, escuro, quiçá até assombrado. Meu coração palpitava intensamente, como uma cigarra cantarolando num belo alvorecer. Era o único som que escutava. O barulho do coração chocando-se contra o peito pareciam verdadeiras explosões, apoteoses naturais, provavelmente amplificado pela sensação momentânea. Entretanto, lembro-me que acordei, nesse exato momento... levando-me à recordar que solidão verdadeira não existe, não nesse mundo. Infelizmente.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O porquê das ilusões

Quando acordamos, logo pensamos "O que farei do meu dia?" E sucessivas vezes, faremos a mesma pergunta ao acordar. Mas, pensando bem: Do que vale perguntar sobre isso?

O que proponho é o seguinte: do que vale pensar, organizar, planejar, se estamos rumados às burocracias diárias de nossas vidas? O que nos leva crer que somos irremediavelmente livres? A esperança tem esse poder. Transformar o imutável do nosso dia-a-dia, nas ilusões que constituem nossa mente. Mesmo que imaginemo-nos sendo popstars, capa de revistas ou futuros milionários, ainda estaremos compromissados com o que temos: a realidade. E essa realidade, tão dura e cruel, é capaz de transformar um amanhecer belo e cativante, numa tempestade torrencial. Mas se a realidade é o que temos, e a ilusão é o que imaginamos, por quê não focar na realidade? Talvez porque precisamos dessas mentiras ocasionais. Necessitamos de celulares "da moda" para não pensar no sofrimento alheio(ou da própria pessoa, depende do caso.) Se enfrentássemos a vida como ela realmente apresenta-se à nos, enlouqueceríamos em questão de horas, só de observar quanta miséria que jamais conseguiremos reverter. Nesse momento, talvez, surge a pergunta: "Mas por quê você não ajuda em alguma coisa?" E respondo, com toda sinceridade que cabe-me no momento: Porque nada posso fazer. Quer dizer; "nada" é muito extremista, concordo. Poderia ajudar uma instituição aqui, outro grupo acolá, mas quando podería fazer isso com todos os que sofrem nesse mundo? Por mais que ajude ciclano ou beltrano, quantas pessoas ainda sofrerão nessa vida?

Pode ser um conceito até "egoísta" para algumas pessoas. Mas o que vejo, é o mundo como um todo, não uma região em específico. Quando digo isso, sempre tem alguém fazendo uma pergunta um tanto quanto óbvia: "Mas se tantas pessoas sofrem, por que não sentir-se feliz de estar numa condição melhor?" Sim. Sinto-me bem olhando por esse aspecto, atentando-me que tenho uma casa para morar, carinho familiar e todos as inutilidades materiais que me satisfazem. Mas se olharmos por esse aspecto, aí sim, seremos egoístas e miseráveis(de espírito), pois vemos motivos para nos sentir felizes através do sofrimento de outrem. Sim. É disso que vivem os mortais. Comparações óbvias, necessidades momentâneas e pensamentos egoístas. Isso não é novidade para ninguém, e nunca será, até que homens ainda permaneçam homens. A dor outro, assim como machuca-nos, tem o incrível poder de deixar-nos "alegres", agradecendo à Deus(ou à natureza, dependendo da crença do indivíduo) por estar numa posição melhor. Assim como machuca ver um deficiente na rua, alegra-nos o sorriso contido em sua face, porque nessas horas vemos o quão somos "abençoados".

Enquanto isso, na África milhares passam fome; nos EUA milhares alimentam-se constantemente; no Japão inventam novas tecnologias; e no mundo, pelo menos nesse aqui, somos iludidos pela necessidade da manutenção da sanidade.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Estradas vazias

Um homem caminhou por terras longínquas, distantes, sombrias; caminhara durante dias com teu povo, em busca de um tesouro guardado com um antigo negociador, que prometera devolvê-lo. Finalmente em teu destino, o senhor assim disse:

"Eu estive esperando tua misericórdia e piedade diante de vossas vidas. Não sabe o quanto lutaram e caminharam para chegar nestas terras distantes, desgastadas e vazias; sabes tu que trouxera todos os teus desejos, assim como meus confidentes de expedição. Atravessamos rios, lagos, planícies e encontramos demasiada dificuldade, com um só objetivo: chegar aqui, em tua terra. E tu nos trata dessa maneira; insolente, mal-caráter e odioso; só assim posso definir tua constituição interior e psicológica, assim como tua intenção. Se soubesses por quantos solos fervente nós passamos, quanta injúria enfrentamos, trituraria-se pela pequena sanidade que ainda há em ti.

Conheço as pessoas e sei tuas dificuldades em compreender-nos, mas se fizestes isso comigo e com meu povo, jamais confiarei novamente em um ser humano, por mais nobre que ele seja. Não deveria ter acreditado em tuas promessas, malditas promessas, que jamais cumpriste ou cumprirás algum dia. Deveria estar prevenido das intenções humanas, essa terrível mesquinhez que compõe nossa raça e agir para outrem como agem comigo. Mas sou demasiado bom para isso, sou incapaz de tal feito; gostaria de agir impiedosamente, maltratar meus inimigos, obter vantagens através dos meus amigos, mas isso foge da minha natureza e de pensar nessa possibilidade, entristece-me a alma. Meu povo, assim como eu, foi vítima da mesma armadilha que caíra: a suposta bondade humana. Poderia ter aceitado minha vida como sempre foi, rede de ilusões e disparates, vítima de tiroteios e ganância. Todavia, tenho que criar minhas falsas esperanças e tentar acreditar o mínimo possível em outrem, para que minha mente não adentre numa tempestade de loucura.

Em outrora admiti meus vícios e virtudes, sim, reconheço que já errei, como qualquer ser humano aqui presente. Em contrapartida, pedi desculpas aos que equivoquei-me, com minhas atitudes errôneas e impulsivas. Pelo contrário, você intensificou tua arrogância após 20 anos de amizade, e quantas vezes tentei ajudar, quantas vezes. Só Deus e eu sabemos o quão forte eu fui pra aguentar tua petulância, tua presunção, teus vícios e manias. Gostaria que tu soubesses o quão significante tu já fostes para mim, assim como eu sei que já fui para ti.

Ademais, voltarei para minha terra, pelo mesmo caminho que vim com meus amigos. Por essas estradas, conhecera pessoas como você, corruptas de alma e coração, assim como pude ter agrado em algumas conversas passageiras. Em suma, devo-lhe dizer o quão terrível e árdua essa viagem foi para nosso físico, psicológico e emocional, mas sei que não estás interessado e nem cairá sobre o chão diante de tanta falácia e petulância, como deves estar pensando, em seu semblante calado e taciturno."

E realmente, a paralisia do negociador estava assustando-lhe, não pela tua saúde mental naquele dado momento, mas pela crueza que tal homem poderia cometer no ato seguinte.

Após 1/2 minuto, o negociante assim disse, em tom sombrio e débil:

"Gostaria de dizer-lhe que jamais imaginaria tais palavras proferidas por tua pessoa. Jamais imaginei que tu tivestes uma imagem tão cruel e odiosa acerca da minha pessoa, por maior que seja a quantidade de erros que eu cometera no passado. Afinal, como tu mesmo me dissestes: quem nunca cometeu erros? Quem nunca foi perdoado quando não devia ou perdoou quando não devia? Quereria que entendestes minha solidão, assim como compreendera tantas outras vezes. Depois da morte da minha amável esposa, desacreditei em tudo e em todos, até mesmo em ti, meu eterno amigo. Andei por rodovias tão escuras que não imaginarias o quão sofrível fora esse caminho, para mim. Diferentemente de ti, caminhei sozinho através das cidades, procurando alento em cada ato, em cada minuto, em cada momento que permaneci vivo. Passei fome, senti dor, frio, cansaço, assim como fui tomado por uma terrível solidão, da qual espero nunca mais encontrá-la e vivê-la.

Estive com tanto medo da morte que jamais pensava sobre o quão imaturo, covarde e impulsivo eu agi com ti, só parando pra refletir meses após a minha chegada. Rezei em diversas igrejas por onde passara, procurando por um amigo tão bondoso e honroso como ti, mas como tu podes perceber, estou desesperançoso quanto à tudo e todos, portanto, de nada mais serve as pessoas para mim, tirando os esporádicos jogos de baralho, bingo ou uma partida de bilhar no bar aqui perto. Utilizo-as como degraus, dos quais subo pouco à pouco para chegar no topo. É estranho manipular de tal forma a raça humana e saber, com total lucidez, do quão corrompido eu estou pela ganância e pelo poder. Mas o que hei de fazer? Como mudar o que tornei-me por conta dos caminhos que escolhi e caminhei? Nada hei de fazer, senão embriagar-me com essa consciência misantrópica que consome minha pessoa, assim como parece consumir-lhe também.

Como tu vês, teu tesouro, lamentavelmente, não pertence mais a mim. Vendi para negociantes, que ofereceram-me um preço alto. Não tive como resistir à essa tentação, o poder sussurrou-me no ouvido e sucumbiu minha alma até conseguir vendê-lo, com muito dó. Já pensei no quão errante fui contigo e com outros inivíduos que jamais mereciam minha misantropia, mas tive que me acostumar com os erros cometidos, para assim, não entrar num êxtase de loucura. Estive próximo do suicídio, por diversas vezes; a solidão já me consumiu de tal maneira que fui obrigado à aniquilar minha própria companhia, chegando no ápice do vazio que um homem pode chegar, embriaguezes das quais jamais quero ter que reviver. Eis minha conclusão, diante disso tudo: estraguei com tantas vidas, assim como meia dúzia de homens inescrupulosos e sem coração algum fizeram comigo, levando-me à crer que fui rebaixado através do sofrimento que vivera. Quanto ao teu sofrimento, peço-lhe sinceras desculpas, por mais que eu saiba que não vai aceitá-las."

Após o diálogo, os dois apenas caíram sobre o lamaçal que ali estava formado, entregando-se ao frenesi emocional que as declarações lhes impuseram, assim como a terrível lembrança de outrora, no qual ainda eram capazes de sorrir no pôr-do-sol.

A tragicomédia da vida

Corrói-me pensar nas insignifâncias em que já me deparei durante minha vida; essa banalidade ocasional que traz-nos à realidade, submersa através da utopia. Poderia encontrar na realidade um verdadeiro escape, um sentido, uma válvula que pudesse transformar meus dias cinzentos numa claridade arrebatadora; mas nunca encontrei-a e receio nunca conseguir encontrá-la. Daí surge a necessidade da utopia imaginária, dos pensamentos fantásticos, das ilusões permanentes. Sei que jamais um ser humano comum, conseguirá lucidamente ir de encontro com o sentido(ou falta de) que faz-se a vida; uma pessoa assim, só tem dois fins: o suicídio ou/e a loucura. E como nossa sanidade permite representar esses pensamentos, optamos pelo caminho fácil: das (des)ilusões.

Estamos inseridos numa tragicomédia tão grande quanto os filmes do Tarantino, mas sendo ainda pior; enquanto cinema geralmente trata-se de ficção(podendo refletir aspectos reais), a vida trás consigo uma crueza mórbida e indestrutível, real e palpável. Poderíamos acreditar na tragédia quando vivemos e sofremos em demasia, e consideramos cômica quando estamos no pólo contrário, ou na pior das hipóteses, vendo outrem sofrer. É por isso que costumo dizer: na dor conhecemos nossos amigos, na alegria não conhecemos ninguém, nem mesmo nossa própria identidade.

Um eterno apocalypse

Quando o sofrimento vai, a dor permanece. Quando o amor vai, a angústia paralisia nossas vidas, estipulando limites amedrondatores. E quando o raio de sol finalmente aparecer, seremos tomados por uma chuva torrencial, avassaladora, arrebatadora. Talvez estejamos próximos do Apocalypse, ou sendo mais pessimista com uma grande dose de realismo, talvez já estejamos nele. Estamos em um eterno apocalypse moral, espiritual, humano, social. A busca insaciável pelo poder, domínio e pelo dinheiro parecem inacabáveis, e meu maior desejo seria, somente, ver um desastre tão grande que pudesse ser capaz de destruir nossas crenças mais sólidas, nossas ilusões mais protegidas pelo véu da mentira. Frente à verdade, estaremos ali; indefesos , frágeis, insanos, corrompidos até a alma pela nossa ganância pelo nada; a verdade dói e para não sofrermos mais do que já sofremos, nos iludimos com a vida eterna, com a recompensa divina e com a bondade humana. E é isso; vivemos para acreditar e tão-somente. Somos bobos, tolos, dementes sem origem, sem fim, sem propósito, tampouco sem um lugar consolidado. E nessa eterna sina estaremos, até que sejamos capazes de tapear nossas caras e encarar a verdade.

sábado, 6 de novembro de 2010

O tédio e seus alicerces

Os requisitos da vida são, de suma sabedoria e conhecimento, maleável de ser humano para ser humano, depedendo assim, da individualidade de cada um. Os argumentos, oriundos de mentes sábias e com profundo conhecimento acerca do assunto, pode ser de total indiferença àqueles que não estão por dentro do assunto, ou, indo além, não querem saber.(adminto vossa ignorância e sua permanencia estática.) O tédio, principal inimigo da humanidade, aflora-se de diferentes maneiras, nos mais diferentes âmbitos. Por quê a cultura, um dos alicerces de maior valor à um país, não seria um resultado diferente para nosso tédio? Por quê as "conversas banais", tão praticadas pelos seres humanos, não poderia ser outra constatação desse agravante male? E, por quê a internet, tão próxima do dia-a-dia de muitas pessoas(não só os jovens, como se imagina) não pode ser outro fato demonstrando nosso vazio? A vida é preenchida pelas lacunas dos sentidos, onde, para que tudo pareça fácil e digno de prosseguimento, colocamos tais objetivos, mesmo que esse seja tão tolo e inócuo quanto nós.

Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os analgésicos da existência

Os fracassados entregam-se às mentiras de suas vidas. Empanturram-se de analgésicos naturais, como um meio benéfico para aliviar as dores vividas. O consolo para os solitários, os infelizes e os ordinários é a desgraça alheia, a miséria a nossa volta... e somente isso pode consolar tais figuras. Saber que existe alguém, em algum canto do universo, que está sofrendo muito mais que você, foi sempre um aspecto reconfortante aos humanos, mesmo que odiemos admitir. Nosso riso só é verdadeiro quando a vista é olhada pelo lado humorístico, enxergando-a como uma enorme piada(sem graça, obviamente). O fardo de existir pesa na nossa consciência e nossas angústias só são saciadas com alguma válvula de escape, pois sem elas, certamente enlouqueceríamos. Cada qual segue de sua maneira, encontrando em vias distintas, o preenchimento das lacunas internas, mesmo que no final de tudo, essas lacunas permaneçam no nosso interior.

Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A liberdade e sua dimensão


O campo da liberdade parece muito abrangente, subjetivo e vago. E quem acha isso, realmente tem razão. Limitar a liberdade em poucas palavras, ou somente em um ou dois conceitos é pouco para uma questão tão instigante e provocativa. Filósofos e intelectuais passaram anos tentando entender esse conceito, passando de Kant até o filósofo francês proliferador do existencialismo, Sartre, passando por Schopenhauer, o maior dos pessimistas. Com opiniões diferentes, cada filósofo divagou e estudou a liberdade em seus mais variados aspectos, incluindo o que mais me chama atenção: a liberdade do ponto de vista existencial. E desse ponto farei como alicerce do meu texto: afinal, o que é liberdade? Difícil entendê-la, explicá-la e, mais que isso, tê-la. Não acredito que a liberdade seja inerente à natureza humana, tampouco de outros animais; acredito que a liberdade seja uma opção, talvez a melhor delas, mas não esteja tão conectada conosco. Somos livres se quisermos ser livres, se fizermos por onde e, principalmente, se cumprirmos as obrigações morais de cada sociedade, em cada época distinta. Portanto, até mesmo a liberdade, uma de nossas maiores dádivas, está limitada às regras sociais e, mesmo que tentemos infringi-las ou burlá-las, estaremos ultrapassando a tal deseja liberdade. Indo mais além, será mesmo que a liberdade existe? Ou ela é apenas uma utopia fantasiosa e irreal, da qual tiramos proveito para nosso próprio bem-estar? Difícil dizer; impossível chegar a uma conclusão precisa e irrefutável. Apenas podemos perceber que, para termos liberdade, devemos restringir nossas vontades à um conjunto dogmático de regras, o que já infringe, mesmo que indiretamente, o conceito humano de ser livre.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os pedestres da vida

Na avenida da vida, todos são pedestres. Não importa a força, a importância, a posição hierárquica da pessoa, todos estão sujeitos às imprevisibilidades da vida. Chegamos desavisados, vivemos sabendo pouco e saímos da mesma forma. Tentativas frustradas de saber nossa verdadeira origem não passam, no final das contas, de um mero passatempo para que nos esquivemos da crueza do cotidiano. Acordar, conversar, alimentar-se, estudar, aprender, sorrir, discutir, chorar, caminhar... é isso que nos resta, e, mesmo quando estivermos descontentes com "nossa vida", permaneceremos com ela, porque é isso que temos; o cotidiano, as risadas, os choros, os encontros e desencontros da vida. E, por maior que seja nossa decepção perante a isso, estaremos com um sorriso no rosto, pela dificuldade de mudar qualquer coisa - mesmo que isso implique em nós e tão-somente. Ninguém, por mais que tente, assumirá a posição de motorista, sequer do carona ou passageiro, não pela dificuldade imposta, e sim pelas nossas próprias limitações, que, de certa forma, tornam tudo relativamente suportável, até mesmo uma intensa dor. E no final de tudo, não passaremos de atribulados pedestres, procurando um lugar, talvez um lugar inexistente...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Por quê?

Por quê o sonho, se a ilusão existe? Por quê o amor, se existe a dor? Por quê a alegria, se o sofrimento sobrepõe-se? Por que a liberdade, se a angústia nos aprisiona? Por quê a solidão, se temos a interação? Por quê os pássaros, se nos servem os bois? Por quê a posse, se nada é eterno? Por quê a futilidade, se tudo esvazia-se? Por quê a religião, se temos a ciência? Por quê o conforto, se conhecemos a verdade? Porque o remorso, se há apenas uma vida? Por quê a crença, se temos a miséria? Por quê o paraíso, quando estamos no inferno? Por quê o melhor dos mundos, se não existem outros? Por quê a vida, se nos basta a morte?

sábado, 21 de agosto de 2010

Desordem

Parafraseando a famosa música "Disorder", do Joy Division, venho lhes trazer uma pequena reflexão acerca do caos social, do artisticamente chamado "dadaísmo". Nada é mais comum em nossa sociedade que a busca pela ordem, pelo domínio, pelo poder; porém, por quê não poderíamos considerar a possibilidade do anarquismo estritamente prático e objetivo? Sem governantes, sem leis, sem hierarquia... apenas humanos aleatoriamente arremessados, regressando à nossa origem instintivamente primitiva. Todavia, mesmo sendo impossível conceber um anarquismo total e pleno em nossa sociedade atual, podemos perceber que nosso mundo é regido por leis estritamente limitadoras, com o claro objetivo de imperar uma mínima ordem em nossa espécie. Mas, se tudo isso é ilusório e criado por humanos iguais à nós, por quê uma hierararquia dominadora em busca do controle? Por quê a criação de leis, se nosso instinto animal não condiz com essa moralidade altamente controlada? Talvez, em tempos remotos, um intelectual persuadiu seu bando e impôs aquilo que hoje chamamos de "certo" e "errado"; "bom" e "ruim", fatores extremamente subjetivos, mas com a padronização crescente de pensamentos e ideiais, cada vez mais objetivos. E, a partir de então, ouve uma hierarquia errônea na sobreposição de valores, batendo de frente com nossos instintos mais primitivos. Pois bem; como uma desordem total seria inconcebível para os que amam o controle, a hierarquia e o dominio, é improvável que houvesse um retorno para nossa origem mais primitiva e racional, mesmo que isso significasse a plenutide que tanto sonhamos e jamais alcançamos.

O improbabilidade do autoconhecimento

Um jogo de fachadas constantemente ilusórias. Essa pode ser uma breve constatação do que resume-se a socialização humana. Encontramos um conjuntos de leis e dogmas estritamente explicados, para que possamos peretencer à "algum grupo". Criamos ilusões esperando a vida eterna, seja no paraíso, no inferno ou na reencarnação. Desejamos, inevitavelmente, acreditar que nosso ciclo não acaba por aqui, que temos, em uma outra dimensão, algo que está à nossa eterna espera; Para que não morramos de desgosto e nossa vida não torne-se um passatempo estritamente enfadonho e tedioso, inventamos métodos capazes de suprir esse tédio e que nos ocupe para que estejamos mais longe de nós mesmos; é esse o principal interesse. Dominados pela lingaguem, pela interação desenfreada e pelas crescentes vias de comunicação(internet, por exemplo), sentimos um enorme pesar quando estamos longe de pessoas, quando estamos junto conosco e somente. Desejamos desesperadamente uma interação, uma comunicação, algo que nos traga à frente nosso infindável desejo de nos afastar de nós mesmos. Odiamo-nos e fingimos não saber disso, para que não sejamos rotulados como "deprimidos". Acreditamos que tudo que podemos desfrutar na vida está no admirável mundo por detrás das esquinas, das ruas, dos shoppings, das festas e toda superficialidade existentente. E, quando irreversivelmente seremos nossa maior compahnia, saberemos mais dos outros do que nós mesmos.

Vazio

O vazio é inerente ao homem.

Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pensar em demasia

Não sou homem; sou dinamite.

Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.

A confortabilidade da morte

A vida, apesar de todos os percausos e atribulações, não passa de um efêmero passatempo. Saber que na verdade, todos estamos condenados à um fim inevitável(morte), faz com que a vida seja uma passagem consideravelmente suportável. A morte, tão sombria e evitada por todos, é justamente o fator que atribui algum valor à vida. Se nunca morrêssemos, para quê viveríamos? Qual seria o valor da vida sem que essa houvesse um final inevitável? Pois é; mesmo que relutemos em admitir e, por muitas vezes, amedontramo-nos perante a morte, ela é o que faz de tudo minimamente suportável; saber que as dores pessoais, as angústias criadas ao longo da vida terão um fim, é, no mínimo, reconfortante. Por isso, não sei porque uma necessidade praticamente doentia à procura de uma religião e uma falsa concepção da vida eterna; a morte é o melhor que a vida nos oferece, e conceber uma vida eterna, na minha opinião, seria, no mínimo, altamente aterrorizante. Portanto, não temo a morte como muitos. Vivo meu curso biológico, mas sem temer o inevitável, que, fatalmente, transformará minha existência em mais uma de tantas inexistências.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Acaso

Somos vítimas do acaso. E admitir tal condição não requer grande dose de reflexão ou pesquisa, já que por si só, carecemos de sentido existencial. Não há quando nascemos, um método comprovado que decifre nosso sentido dentre todas as imprevisibilidades da vida. Nascemos, sobrevivemos(existimos) e morremos(quando deixamos de existir, pelo menos do ponto de vista biológico). Não há mistério, ambiguidade ou dúvida quando constatamos nossa existência(aplicando-se, somente, à termos físicos). Não somos mais especiais e/ou mais importantes que outros seres vivos; nos colocar à frente das plantas, do boi ou da vaca, seria prepotente demais considerando a proporção gigantesca que o universo abrange. Mas por simples desejo de tornar tudo que nos rodeia mais fácil e manipulável, acreditamos ser o centro do universo, da vida, da criação divina. É mais fácil ter essa falsa-ideologia existencial, do que admitir que somos apenas um grande acaso ocorrendo dentro do universo.

Fragilidade


O vazio da nossa vida é apenas um reflexo da nossa própria existência. Há, principalmente na sociedade contemporânea, um menosprezo diante da constatação do tédio; isso porque não é o tédio que tanto nos incomoda; o que nos incomoda, na verdade, é a concientização que inúmeros passatempos criados(video-game, filme, literatura, baralho etc.) não são capazes de sanar por completo, nosso inevitável abismo diante da realidade. Por isso, filosofia costuma nos aborrecer tanto, pois, frente à nossa vulnerabilidade, há uma amarga constatação que criamos passatempos banais para suportarmos de maneira mais digna, a nossa existência. Enquanto animais lutam, guerream e devoram-se pela busca da sobrevivência(que no fundo, é só o que importa), nós, dotados de inteligência e racionalidade, somos incapazes de vivenciar uma realidade sem nenhuma comodidade moderna, reforçando a tese da nossa imensa fragilidade perante à vida.