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sexta-feira, 18 de março de 2011

Esquecimento

Há muito pra dizer
Pouco pra falar
Entupia-me com os traços da imperfeição
Enquanto escutava os sons da gravação

Esculpi minhas dores no tempo
Para esquecer do sofrimento
Fazia-me de tolo
Para não lembrar do meu tormento

Quando acreditei na vida
Decidi parar e pensar
No que havia feito
Na construção dessa sina

Assassinei os meus fantasmas
Sem nunca mais vê-los
Com medo e temor
De uma vida sem amor

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A vontade

tragaria dos deuses
seu gosto pelo mágico
da noite sombria
ao belo amanhecer

não acordaria mais
para fugir dos pensamentos
que torturam minha'lma
pra triturar da minha vida

sonhei com seus desejos
como se fossem meus
e você entorpeceu dos meus vícios
como se fossem seus

gritaria meu desespero
que não cabe mais em mim
atordoado pela vida
de quem já descobriu seu segredo

Ausência

joguei minhas fichas
pra encontrar sua vida
preenchida pelo rio
do caminho vazio

observei os cometas
no repouso
de quem pensa demais
no que não deveria pensar

acordei cedo
para tomar meu café
e acender meu cigarro
quando não achei meu isqueiro

senti na pele
a dor dos que sofrem
nesse mundo insano
dos que vivem e morrem

Sobre a culpa

acordei de manhã
pensando na morte
como quem pensa na vida
que foi embora

pensei nas estrelas
abracei as trevas
pra encontrar o sol
da próxima vez

tentei sem sucesso
busquei meu caminho
através da dor
pra mergulhar na culpa

fui atrás
pequei, busquei
em vão
nos bosques
onde os pássaros cantam
felizes por não serem humanos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Morra jovem, permaneça belo

Fascina-me os que morrem cedo
Na certeza da conquista
Dos ideais que já tiveram
De uma noite sem saída

Na escuridão dos assassinos
Ou na amargura dos poetas
O sofrimento é permanente
Como uma vida sem presente

Aproveitar o leito da morte
É mergulhar no seu legado
Apagar o seu futuro
P'ra esquecer do seu passado

Esquecer da tua vida
Como os heróis que já se foram
E os mitos que nasceram
Através de sua morte



OBS: Título retirado da frase do ex-vocalista do Nirvana, Kurt Cobain.

Saberia eu escrever?

Eu poderia descrever minha fábula nos restícios de uma carta,
Saberia dizer o quão real foi aquilo?
Demasiado intenso, forte e corajoso para sentir em uma só pulsação
Almejaria teus sonhos em meus pensamentos?

Imaginei os caminhos da tua vida enquanto delirava por minha alma,
Seria eu capaz de disassociar meus pensamentos de você?
Como um mortal abraça seus ideais, duvidando de suas crenças
Ou os poetas que amarguram sua existência, na sinceridade de um olhar?

Escrevi seu soneto em minha pele, esquecendo-me da idiotice eu fizera
Poderia eu apagar tua face de minha mente?
Esqueci-me de quão bela tu eras, teus olhos, tua boca
Enquanto entorpecia-me pelos traços da escuridão

Tua delicadeza me fascina,
Assim como teu olhar me espanta
De uma noite profunda que vivera
Sem saber ao menos o teu nome

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ao lado

Tu me sufocas com tua dor
Seu sofrimento irreversível
Transforma-nos em um só
Um coração, uma alma, um espírito

Quanto estivermos perdidos
Podemos sorrir ao alento do viver
Porque prova da sanidade é a loucura
De estar distante do tudo

E no nada vamos mergulhar
Afundaremos nossos sonhos
Esqueceremos das ilusões
Para resgatar os porquês

Calmamente voltaremos
À essa tola superfície
Permeada pelos mortais
Entorpecidos pelos seus ideais

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os extremos de um encontro

Tu és tudo
Enquanto eu sou nada
Tu és dia
Enquanto eu sou noite

Tu és completa
Enquanto eu sou vazio
Tu estás alegre e sorridente
Enquanto eu estou triste e calado

Tu és o sol da alvorada
Enquanto eu sou a lua do anoitecer
Tu és a felicidade em movimento
Enquanto eu sou a tristeza em sentimento

Tu és a luz do esplandecer
Enquanto eu sou a sombra do existir
Tu moves montanhas através de seu sorriso
Enquanto eu ponho barreiras através do meu escapismo

As memórias da vida

As memórias serão destruídas
Pela linha do tempo
As dores serão aumentadas
Pelo caminho que temos

A vida sempre será
Aquilo que nunca foi
Terra de desespero e sofrimento
À espera de um alento

Como um projéctil despedaçado
Representado desejos e emoções
De um sonho repleto de falhas e lacunas
Saciando sua solidão

Quando o poeta pensar no que escrever
Esconda-se do vazio da noite
Procurando no existir e no viver
O sentido para o seu esplandescer




domingo, 17 de outubro de 2010

A arte da vida

Necessitamos de tudo

Precisamos de pouco

Na interminável noite sombria

E até no suave amanhecer


Diante do sol estaremos

Procurando uma sombra

Ou esperando o anoitecer

Até o belo dia terminar


Continuaremos nessa estrada

Mesmo que nossos sonhos esvaziem-se

E nossa força acabe

Lutaremos como bravos guerreiros

Sonhando com uma vida melhor


Andaremos suaves como o vento

Fortes como um trovão

No escuro da solidão
E na luz da interação


No final olharei

Tudo que fizera

Os erros e acertos

De uma vaga ilusão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Caos

Largando tua mão
Saberei onde encontrá-la
Sem saber onde encontrar-me
Rumando à uma intensa explosão

E quando o raio de sol ilumiar nosso caminho
Reclinaremos nosso corpo pelo tão sonhado desejo`
Enquanto as sombras penetrarão pelo vazio da alma
E nosso mundo esteja novamente desordenado

Quando soubermos o que fazer, estaremos perdidos
Porque não há nada melhor que essa imprevisibilidade
Rumando ao caos eu quero estar, longe dos estáticos
Sabendo que hei de encarar uma enorme vulnerabilidade

Nossos pés estremecem
A interminável noite coloca-se diante de nós
Tolos; fragéis; insanos
Estaremos perdidos até que haja um caminho irreversível para qual seguir

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Estrada da Vida

Preso no suspiro, no olhar
Movido pelo sonho da ilusão
Caminhando e marchando, sem hora para terminar
Sozinho no escuro, encurralado pela decepção

Na estrada do mal, encontro inimigos
Na estrada do amor, encontro paixão
Na estrada do bem, encontro amigos
E na estrada da vida, encontro uma lição

Solitário, nessa estrada eu vou andar
Sem rumo, sem volta e sem direção
Para um caminho eu encontrar

O reflexo do espelho, reluz o brilho do olhar
As perdas, as conquistas e os sonhos
Para um dia eu encontrar