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domingo, 2 de janeiro de 2011
No escuro, tudo fica mais claro
Na solidão da madrugada é que os homens conhecem seus verdadeiros demônios. Eu, por exemplo, sou um desses caras. Troco o dia pela noite nas férias, pelo simples apreço que tenho pela madrugada e seus alicerces. O silêncio, a solitude, tudo é processado de melhor maneira, não é à toa que grande parte dos meus textos são escritos nesse horário. Enquanto todos dormem, eu consigo organizar meus pensamentos, reavaliar meus desejos, redefinir meus gostos. O silêncio proporciona uma sensação unica, da qual poucas vezes podemos experimentar no dia-a-dia... Em contrapartida, os fantasmas estão mais intensos, pois frente à si mesmo, não pode renunciá-lo como faz no decorrer do dia. É preciso mergulhar, adentrar, afundar, para que sua volta seja gloriosa e possa desmistificar alguns desses tormentos. E só assim, finalmente, é possível dormir; exorcisando meus demônios, para que minha mente esteja em perfeita sintonia com minha parte biológica e repetir tal hábito dia após dia.
sábado, 4 de dezembro de 2010
O porquê das ilusões
Quando acordamos, logo pensamos "O que farei do meu dia?" E sucessivas vezes, faremos a mesma pergunta ao acordar. Mas, pensando bem: Do que vale perguntar sobre isso?
O que proponho é o seguinte: do que vale pensar, organizar, planejar, se estamos rumados às burocracias diárias de nossas vidas? O que nos leva crer que somos irremediavelmente livres? A esperança tem esse poder. Transformar o imutável do nosso dia-a-dia, nas ilusões que constituem nossa mente. Mesmo que imaginemo-nos sendo popstars, capa de revistas ou futuros milionários, ainda estaremos compromissados com o que temos: a realidade. E essa realidade, tão dura e cruel, é capaz de transformar um amanhecer belo e cativante, numa tempestade torrencial. Mas se a realidade é o que temos, e a ilusão é o que imaginamos, por quê não focar na realidade? Talvez porque precisamos dessas mentiras ocasionais. Necessitamos de celulares "da moda" para não pensar no sofrimento alheio(ou da própria pessoa, depende do caso.) Se enfrentássemos a vida como ela realmente apresenta-se à nos, enlouqueceríamos em questão de horas, só de observar quanta miséria que jamais conseguiremos reverter. Nesse momento, talvez, surge a pergunta: "Mas por quê você não ajuda em alguma coisa?" E respondo, com toda sinceridade que cabe-me no momento: Porque nada posso fazer. Quer dizer; "nada" é muito extremista, concordo. Poderia ajudar uma instituição aqui, outro grupo acolá, mas quando podería fazer isso com todos os que sofrem nesse mundo? Por mais que ajude ciclano ou beltrano, quantas pessoas ainda sofrerão nessa vida?
Pode ser um conceito até "egoísta" para algumas pessoas. Mas o que vejo, é o mundo como um todo, não uma região em específico. Quando digo isso, sempre tem alguém fazendo uma pergunta um tanto quanto óbvia: "Mas se tantas pessoas sofrem, por que não sentir-se feliz de estar numa condição melhor?" Sim. Sinto-me bem olhando por esse aspecto, atentando-me que tenho uma casa para morar, carinho familiar e todos as inutilidades materiais que me satisfazem. Mas se olharmos por esse aspecto, aí sim, seremos egoístas e miseráveis(de espírito), pois vemos motivos para nos sentir felizes através do sofrimento de outrem. Sim. É disso que vivem os mortais. Comparações óbvias, necessidades momentâneas e pensamentos egoístas. Isso não é novidade para ninguém, e nunca será, até que homens ainda permaneçam homens. A dor outro, assim como machuca-nos, tem o incrível poder de deixar-nos "alegres", agradecendo à Deus(ou à natureza, dependendo da crença do indivíduo) por estar numa posição melhor. Assim como machuca ver um deficiente na rua, alegra-nos o sorriso contido em sua face, porque nessas horas vemos o quão somos "abençoados".
Enquanto isso, na África milhares passam fome; nos EUA milhares alimentam-se constantemente; no Japão inventam novas tecnologias; e no mundo, pelo menos nesse aqui, somos iludidos pela necessidade da manutenção da sanidade.
O que proponho é o seguinte: do que vale pensar, organizar, planejar, se estamos rumados às burocracias diárias de nossas vidas? O que nos leva crer que somos irremediavelmente livres? A esperança tem esse poder. Transformar o imutável do nosso dia-a-dia, nas ilusões que constituem nossa mente. Mesmo que imaginemo-nos sendo popstars, capa de revistas ou futuros milionários, ainda estaremos compromissados com o que temos: a realidade. E essa realidade, tão dura e cruel, é capaz de transformar um amanhecer belo e cativante, numa tempestade torrencial. Mas se a realidade é o que temos, e a ilusão é o que imaginamos, por quê não focar na realidade? Talvez porque precisamos dessas mentiras ocasionais. Necessitamos de celulares "da moda" para não pensar no sofrimento alheio(ou da própria pessoa, depende do caso.) Se enfrentássemos a vida como ela realmente apresenta-se à nos, enlouqueceríamos em questão de horas, só de observar quanta miséria que jamais conseguiremos reverter. Nesse momento, talvez, surge a pergunta: "Mas por quê você não ajuda em alguma coisa?" E respondo, com toda sinceridade que cabe-me no momento: Porque nada posso fazer. Quer dizer; "nada" é muito extremista, concordo. Poderia ajudar uma instituição aqui, outro grupo acolá, mas quando podería fazer isso com todos os que sofrem nesse mundo? Por mais que ajude ciclano ou beltrano, quantas pessoas ainda sofrerão nessa vida?
Pode ser um conceito até "egoísta" para algumas pessoas. Mas o que vejo, é o mundo como um todo, não uma região em específico. Quando digo isso, sempre tem alguém fazendo uma pergunta um tanto quanto óbvia: "Mas se tantas pessoas sofrem, por que não sentir-se feliz de estar numa condição melhor?" Sim. Sinto-me bem olhando por esse aspecto, atentando-me que tenho uma casa para morar, carinho familiar e todos as inutilidades materiais que me satisfazem. Mas se olharmos por esse aspecto, aí sim, seremos egoístas e miseráveis(de espírito), pois vemos motivos para nos sentir felizes através do sofrimento de outrem. Sim. É disso que vivem os mortais. Comparações óbvias, necessidades momentâneas e pensamentos egoístas. Isso não é novidade para ninguém, e nunca será, até que homens ainda permaneçam homens. A dor outro, assim como machuca-nos, tem o incrível poder de deixar-nos "alegres", agradecendo à Deus(ou à natureza, dependendo da crença do indivíduo) por estar numa posição melhor. Assim como machuca ver um deficiente na rua, alegra-nos o sorriso contido em sua face, porque nessas horas vemos o quão somos "abençoados".
Enquanto isso, na África milhares passam fome; nos EUA milhares alimentam-se constantemente; no Japão inventam novas tecnologias; e no mundo, pelo menos nesse aqui, somos iludidos pela necessidade da manutenção da sanidade.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Estradas vazias
Um homem caminhou por terras longínquas, distantes, sombrias; caminhara durante dias com teu povo, em busca de um tesouro guardado com um antigo negociador, que prometera devolvê-lo. Finalmente em teu destino, o senhor assim disse:
"Eu estive esperando tua misericórdia e piedade diante de vossas vidas. Não sabe o quanto lutaram e caminharam para chegar nestas terras distantes, desgastadas e vazias; sabes tu que trouxera todos os teus desejos, assim como meus confidentes de expedição. Atravessamos rios, lagos, planícies e encontramos demasiada dificuldade, com um só objetivo: chegar aqui, em tua terra. E tu nos trata dessa maneira; insolente, mal-caráter e odioso; só assim posso definir tua constituição interior e psicológica, assim como tua intenção. Se soubesses por quantos solos fervente nós passamos, quanta injúria enfrentamos, trituraria-se pela pequena sanidade que ainda há em ti.
Conheço as pessoas e sei tuas dificuldades em compreender-nos, mas se fizestes isso comigo e com meu povo, jamais confiarei novamente em um ser humano, por mais nobre que ele seja. Não deveria ter acreditado em tuas promessas, malditas promessas, que jamais cumpriste ou cumprirás algum dia. Deveria estar prevenido das intenções humanas, essa terrível mesquinhez que compõe nossa raça e agir para outrem como agem comigo. Mas sou demasiado bom para isso, sou incapaz de tal feito; gostaria de agir impiedosamente, maltratar meus inimigos, obter vantagens através dos meus amigos, mas isso foge da minha natureza e só de pensar nessa possibilidade, entristece-me a alma. Meu povo, assim como eu, foi vítima da mesma armadilha que caíra: a suposta bondade humana. Poderia ter aceitado minha vida como sempre foi, rede de ilusões e disparates, vítima de tiroteios e ganância. Todavia, tenho que criar minhas falsas esperanças e tentar acreditar o mínimo possível em outrem, para que minha mente não adentre numa tempestade de loucura.
Em outrora admiti meus vícios e virtudes, sim, reconheço que já errei, como qualquer ser humano aqui presente. Em contrapartida, pedi desculpas aos que equivoquei-me, com minhas atitudes errôneas e impulsivas. Pelo contrário, você intensificou tua arrogância após 20 anos de amizade, e quantas vezes tentei ajudar, quantas vezes. Só Deus e eu sabemos o quão forte eu fui pra aguentar tua petulância, tua presunção, teus vícios e manias. Gostaria que tu soubesses o quão significante tu já fostes para mim, assim como eu sei que já fui para ti.
Ademais, voltarei para minha terra, pelo mesmo caminho que vim com meus amigos. Por essas estradas, conhecera pessoas como você, corruptas de alma e coração, assim como pude ter agrado em algumas conversas passageiras. Em suma, devo-lhe dizer o quão terrível e árdua essa viagem foi para nosso físico, psicológico e emocional, mas sei que não estás interessado e nem cairá sobre o chão diante de tanta falácia e petulância, como deves estar pensando, em seu semblante calado e taciturno."
E realmente, a paralisia do negociador estava assustando-lhe, não pela tua saúde mental naquele dado momento, mas pela crueza que tal homem poderia cometer no ato seguinte.
Após 1/2 minuto, o negociante assim disse, em tom sombrio e débil:
"Gostaria de dizer-lhe que jamais imaginaria tais palavras proferidas por tua pessoa. Jamais imaginei que tu tivestes uma imagem tão cruel e odiosa acerca da minha pessoa, por maior que seja a quantidade de erros que eu cometera no passado. Afinal, como tu mesmo me dissestes: quem nunca cometeu erros? Quem nunca foi perdoado quando não devia ou perdoou quando não devia? Quereria que entendestes minha solidão, assim como compreendera tantas outras vezes. Depois da morte da minha amável esposa, desacreditei em tudo e em todos, até mesmo em ti, meu eterno amigo. Andei por rodovias tão escuras que não imaginarias o quão sofrível fora esse caminho, para mim. Diferentemente de ti, caminhei sozinho através das cidades, procurando alento em cada ato, em cada minuto, em cada momento que permaneci vivo. Passei fome, senti dor, frio, cansaço, assim como fui tomado por uma terrível solidão, da qual espero nunca mais encontrá-la e vivê-la.
Estive com tanto medo da morte que jamais pensava sobre o quão imaturo, covarde e impulsivo eu agi com ti, só parando pra refletir meses após a minha chegada. Rezei em diversas igrejas por onde passara, procurando por um amigo tão bondoso e honroso como ti, mas como tu podes perceber, estou desesperançoso quanto à tudo e todos, portanto, de nada mais serve as pessoas para mim, tirando os esporádicos jogos de baralho, bingo ou uma partida de bilhar no bar aqui perto. Utilizo-as como degraus, dos quais subo pouco à pouco para chegar no topo. É estranho manipular de tal forma a raça humana e saber, com total lucidez, do quão corrompido eu estou pela ganância e pelo poder. Mas o que hei de fazer? Como mudar o que tornei-me por conta dos caminhos que escolhi e caminhei? Nada hei de fazer, senão embriagar-me com essa consciência misantrópica que consome minha pessoa, assim como parece consumir-lhe também.
Como tu vês, teu tesouro, lamentavelmente, não pertence mais a mim. Vendi para negociantes, que ofereceram-me um preço alto. Não tive como resistir à essa tentação, o poder sussurrou-me no ouvido e sucumbiu minha alma até conseguir vendê-lo, com muito dó. Já pensei no quão errante fui contigo e com outros inivíduos que jamais mereciam minha misantropia, mas tive que me acostumar com os erros cometidos, para assim, não entrar num êxtase de loucura. Estive próximo do suicídio, por diversas vezes; a solidão já me consumiu de tal maneira que fui obrigado à aniquilar minha própria companhia, chegando no ápice do vazio que um homem pode chegar, embriaguezes das quais jamais quero ter que reviver. Eis minha conclusão, diante disso tudo: estraguei com tantas vidas, assim como meia dúzia de homens inescrupulosos e sem coração algum fizeram comigo, levando-me à crer que fui rebaixado através do sofrimento que vivera. Quanto ao teu sofrimento, peço-lhe sinceras desculpas, por mais que eu saiba que não vai aceitá-las."
Após o diálogo, os dois apenas caíram sobre o lamaçal que ali estava formado, entregando-se ao frenesi emocional que as declarações lhes impuseram, assim como a terrível lembrança de outrora, no qual ainda eram capazes de sorrir no pôr-do-sol.
"Eu estive esperando tua misericórdia e piedade diante de vossas vidas. Não sabe o quanto lutaram e caminharam para chegar nestas terras distantes, desgastadas e vazias; sabes tu que trouxera todos os teus desejos, assim como meus confidentes de expedição. Atravessamos rios, lagos, planícies e encontramos demasiada dificuldade, com um só objetivo: chegar aqui, em tua terra. E tu nos trata dessa maneira; insolente, mal-caráter e odioso; só assim posso definir tua constituição interior e psicológica, assim como tua intenção. Se soubesses por quantos solos fervente nós passamos, quanta injúria enfrentamos, trituraria-se pela pequena sanidade que ainda há em ti.
Conheço as pessoas e sei tuas dificuldades em compreender-nos, mas se fizestes isso comigo e com meu povo, jamais confiarei novamente em um ser humano, por mais nobre que ele seja. Não deveria ter acreditado em tuas promessas, malditas promessas, que jamais cumpriste ou cumprirás algum dia. Deveria estar prevenido das intenções humanas, essa terrível mesquinhez que compõe nossa raça e agir para outrem como agem comigo. Mas sou demasiado bom para isso, sou incapaz de tal feito; gostaria de agir impiedosamente, maltratar meus inimigos, obter vantagens através dos meus amigos, mas isso foge da minha natureza e só de pensar nessa possibilidade, entristece-me a alma. Meu povo, assim como eu, foi vítima da mesma armadilha que caíra: a suposta bondade humana. Poderia ter aceitado minha vida como sempre foi, rede de ilusões e disparates, vítima de tiroteios e ganância. Todavia, tenho que criar minhas falsas esperanças e tentar acreditar o mínimo possível em outrem, para que minha mente não adentre numa tempestade de loucura.
Em outrora admiti meus vícios e virtudes, sim, reconheço que já errei, como qualquer ser humano aqui presente. Em contrapartida, pedi desculpas aos que equivoquei-me, com minhas atitudes errôneas e impulsivas. Pelo contrário, você intensificou tua arrogância após 20 anos de amizade, e quantas vezes tentei ajudar, quantas vezes. Só Deus e eu sabemos o quão forte eu fui pra aguentar tua petulância, tua presunção, teus vícios e manias. Gostaria que tu soubesses o quão significante tu já fostes para mim, assim como eu sei que já fui para ti.
Ademais, voltarei para minha terra, pelo mesmo caminho que vim com meus amigos. Por essas estradas, conhecera pessoas como você, corruptas de alma e coração, assim como pude ter agrado em algumas conversas passageiras. Em suma, devo-lhe dizer o quão terrível e árdua essa viagem foi para nosso físico, psicológico e emocional, mas sei que não estás interessado e nem cairá sobre o chão diante de tanta falácia e petulância, como deves estar pensando, em seu semblante calado e taciturno."
E realmente, a paralisia do negociador estava assustando-lhe, não pela tua saúde mental naquele dado momento, mas pela crueza que tal homem poderia cometer no ato seguinte.
Após 1/2 minuto, o negociante assim disse, em tom sombrio e débil:
"Gostaria de dizer-lhe que jamais imaginaria tais palavras proferidas por tua pessoa. Jamais imaginei que tu tivestes uma imagem tão cruel e odiosa acerca da minha pessoa, por maior que seja a quantidade de erros que eu cometera no passado. Afinal, como tu mesmo me dissestes: quem nunca cometeu erros? Quem nunca foi perdoado quando não devia ou perdoou quando não devia? Quereria que entendestes minha solidão, assim como compreendera tantas outras vezes. Depois da morte da minha amável esposa, desacreditei em tudo e em todos, até mesmo em ti, meu eterno amigo. Andei por rodovias tão escuras que não imaginarias o quão sofrível fora esse caminho, para mim. Diferentemente de ti, caminhei sozinho através das cidades, procurando alento em cada ato, em cada minuto, em cada momento que permaneci vivo. Passei fome, senti dor, frio, cansaço, assim como fui tomado por uma terrível solidão, da qual espero nunca mais encontrá-la e vivê-la.
Estive com tanto medo da morte que jamais pensava sobre o quão imaturo, covarde e impulsivo eu agi com ti, só parando pra refletir meses após a minha chegada. Rezei em diversas igrejas por onde passara, procurando por um amigo tão bondoso e honroso como ti, mas como tu podes perceber, estou desesperançoso quanto à tudo e todos, portanto, de nada mais serve as pessoas para mim, tirando os esporádicos jogos de baralho, bingo ou uma partida de bilhar no bar aqui perto. Utilizo-as como degraus, dos quais subo pouco à pouco para chegar no topo. É estranho manipular de tal forma a raça humana e saber, com total lucidez, do quão corrompido eu estou pela ganância e pelo poder. Mas o que hei de fazer? Como mudar o que tornei-me por conta dos caminhos que escolhi e caminhei? Nada hei de fazer, senão embriagar-me com essa consciência misantrópica que consome minha pessoa, assim como parece consumir-lhe também.
Como tu vês, teu tesouro, lamentavelmente, não pertence mais a mim. Vendi para negociantes, que ofereceram-me um preço alto. Não tive como resistir à essa tentação, o poder sussurrou-me no ouvido e sucumbiu minha alma até conseguir vendê-lo, com muito dó. Já pensei no quão errante fui contigo e com outros inivíduos que jamais mereciam minha misantropia, mas tive que me acostumar com os erros cometidos, para assim, não entrar num êxtase de loucura. Estive próximo do suicídio, por diversas vezes; a solidão já me consumiu de tal maneira que fui obrigado à aniquilar minha própria companhia, chegando no ápice do vazio que um homem pode chegar, embriaguezes das quais jamais quero ter que reviver. Eis minha conclusão, diante disso tudo: estraguei com tantas vidas, assim como meia dúzia de homens inescrupulosos e sem coração algum fizeram comigo, levando-me à crer que fui rebaixado através do sofrimento que vivera. Quanto ao teu sofrimento, peço-lhe sinceras desculpas, por mais que eu saiba que não vai aceitá-las."
Após o diálogo, os dois apenas caíram sobre o lamaçal que ali estava formado, entregando-se ao frenesi emocional que as declarações lhes impuseram, assim como a terrível lembrança de outrora, no qual ainda eram capazes de sorrir no pôr-do-sol.
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sábado, 6 de novembro de 2010
O tédio e seus alicerces
Os requisitos da vida são, de suma sabedoria e conhecimento, maleável de ser humano para ser humano, depedendo assim, da individualidade de cada um. Os argumentos, oriundos de mentes sábias e com profundo conhecimento acerca do assunto, pode ser de total indiferença àqueles que não estão por dentro do assunto, ou, indo além, não querem saber.(adminto vossa ignorância e sua permanencia estática.) O tédio, principal inimigo da humanidade, aflora-se de diferentes maneiras, nos mais diferentes âmbitos. Por quê a cultura, um dos alicerces de maior valor à um país, não seria um resultado diferente para nosso tédio? Por quê as "conversas banais", tão praticadas pelos seres humanos, não poderia ser outra constatação desse agravante male? E, por quê a internet, tão próxima do dia-a-dia de muitas pessoas(não só os jovens, como se imagina) não pode ser outro fato demonstrando nosso vazio? A vida é preenchida pelas lacunas dos sentidos, onde, para que tudo pareça fácil e digno de prosseguimento, colocamos tais objetivos, mesmo que esse seja tão tolo e inócuo quanto nós.
Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.
Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Os analgésicos da existência
Os fracassados entregam-se às mentiras de suas vidas. Empanturram-se de analgésicos naturais, como um meio benéfico para aliviar as dores vividas. O consolo para os solitários, os infelizes e os ordinários é a desgraça alheia, a miséria a nossa volta... e somente isso pode consolar tais figuras. Saber que existe alguém, em algum canto do universo, que está sofrendo muito mais que você, foi sempre um aspecto reconfortante aos humanos, mesmo que odiemos admitir. Nosso riso só é verdadeiro quando a vista é olhada pelo lado humorístico, enxergando-a como uma enorme piada(sem graça, obviamente). O fardo de existir pesa na nossa consciência e nossas angústias só são saciadas com alguma válvula de escape, pois sem elas, certamente enlouqueceríamos. Cada qual segue de sua maneira, encontrando em vias distintas, o preenchimento das lacunas internas, mesmo que no final de tudo, essas lacunas permaneçam no nosso interior.
Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.
Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Os pedestres da vida
Na avenida da vida, todos são pedestres. Não importa a força, a importância, a posição hierárquica da pessoa, todos estão sujeitos às imprevisibilidades da vida. Chegamos desavisados, vivemos sabendo pouco e saímos da mesma forma. Tentativas frustradas de saber nossa verdadeira origem não passam, no final das contas, de um mero passatempo para que nos esquivemos da crueza do cotidiano. Acordar, conversar, alimentar-se, estudar, aprender, sorrir, discutir, chorar, caminhar... é isso que nos resta, e, mesmo quando estivermos descontentes com "nossa vida", permaneceremos com ela, porque é isso que temos; o cotidiano, as risadas, os choros, os encontros e desencontros da vida. E, por maior que seja nossa decepção perante a isso, estaremos com um sorriso no rosto, pela dificuldade de mudar qualquer coisa - mesmo que isso implique em nós e tão-somente. Ninguém, por mais que tente, assumirá a posição de motorista, sequer do carona ou passageiro, não pela dificuldade imposta, e sim pelas nossas próprias limitações, que, de certa forma, tornam tudo relativamente suportável, até mesmo uma intensa dor. E no final de tudo, não passaremos de atribulados pedestres, procurando um lugar, talvez um lugar inexistente...
sábado, 21 de agosto de 2010
Desordem
Parafraseando a famosa música "Disorder", do Joy Division, venho lhes trazer uma pequena reflexão acerca do caos social, do artisticamente chamado "dadaísmo". Nada é mais comum em nossa sociedade que a busca pela ordem, pelo domínio, pelo poder; porém, por quê não poderíamos considerar a possibilidade do anarquismo estritamente prático e objetivo? Sem governantes, sem leis, sem hierarquia... apenas humanos aleatoriamente arremessados, regressando à nossa origem instintivamente primitiva. Todavia, mesmo sendo impossível conceber um anarquismo total e pleno em nossa sociedade atual, podemos perceber que nosso mundo é regido por leis estritamente limitadoras, com o claro objetivo de imperar uma mínima ordem em nossa espécie. Mas, se tudo isso é ilusório e criado por humanos iguais à nós, por quê uma hierararquia dominadora em busca do controle? Por quê a criação de leis, se nosso instinto animal não condiz com essa moralidade altamente controlada? Talvez, em tempos remotos, um intelectual persuadiu seu bando e impôs aquilo que hoje chamamos de "certo" e "errado"; "bom" e "ruim", fatores extremamente subjetivos, mas com a padronização crescente de pensamentos e ideiais, cada vez mais objetivos. E, a partir de então, ouve uma hierarquia errônea na sobreposição de valores, batendo de frente com nossos instintos mais primitivos. Pois bem; como uma desordem total seria inconcebível para os que amam o controle, a hierarquia e o dominio, é improvável que houvesse um retorno para nossa origem mais primitiva e racional, mesmo que isso significasse a plenutide que tanto sonhamos e jamais alcançamos.
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O improbabilidade do autoconhecimento
Um jogo de fachadas constantemente ilusórias. Essa pode ser uma breve constatação do que resume-se a socialização humana. Encontramos um conjuntos de leis e dogmas estritamente explicados, para que possamos peretencer à "algum grupo". Criamos ilusões esperando a vida eterna, seja no paraíso, no inferno ou na reencarnação. Desejamos, inevitavelmente, acreditar que nosso ciclo não acaba por aqui, que temos, em uma outra dimensão, algo que está à nossa eterna espera; Para que não morramos de desgosto e nossa vida não torne-se um passatempo estritamente enfadonho e tedioso, inventamos métodos capazes de suprir esse tédio e que nos ocupe para que estejamos mais longe de nós mesmos; é esse o principal interesse. Dominados pela lingaguem, pela interação desenfreada e pelas crescentes vias de comunicação(internet, por exemplo), sentimos um enorme pesar quando estamos longe de pessoas, quando estamos junto conosco e somente. Desejamos desesperadamente uma interação, uma comunicação, algo que nos traga à frente nosso infindável desejo de nos afastar de nós mesmos. Odiamo-nos e fingimos não saber disso, para que não sejamos rotulados como "deprimidos". Acreditamos que tudo que podemos desfrutar na vida está no admirável mundo por detrás das esquinas, das ruas, dos shoppings, das festas e toda superficialidade existentente. E, quando irreversivelmente seremos nossa maior compahnia, saberemos mais dos outros do que nós mesmos.
Vazio
O vazio é inerente ao homem.
Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.
Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Pensar em demasia
Não sou homem; sou dinamite.
Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.
Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Amizade Verdadeira?
Baseando-me no famoso rótulo de "amigos verdadeiros", iniciarei meu texto retratando até que ponto essa tão valiosa amizade, é capaz de aguentar. Diante da bajulação, da supervalorização e dos bons momentos vivenciados com seu melhor amigo, estaremos extremamente longe de qualquer constatação verdadeira sobre o que tal indivíduo realmente pensa sobre nosso respeito. Os bons momentos são aproveitados, conversas são ampliadas(pois estará com seu mais valioso amigo, ora) e até os momentos mais complicados, servirão como prova firme do valor da sua amizade. Porém, ora ou outra, acontece uma briga da qual ambas as partes não esperavam, mas acabou ocorrendo. O real valor da amizade está em questão(para ambos os lados). Suponhemos que determinado indivíduo descubra que seu melhor amigo, aplicou uma traição, não só contra outrem, mas contra a amizade em si. Dentro desse contexto, o primeiro amigo(o traído), dificilmente aceitará prováveis desculpas, desfazendo, pelo menos por momentos, o laço de amizade. Por outro lado, o segundo amigo(o traidor), arrependido, pedirá desculpas e tentará se redmir a qualquer custo(mesmo sabendo que não admitiria sendo com ele). A partir dessa situação hipotética, porém possível, leva-nos a crer que, apesar dos inúmeros bons momentos desfrutatos durante a realação recíproca entre ambos, nada voltará a ser como antes, por causa de um erro cometido. Outro ponto questionável, a sobreposição da maldade(no caso, o erro do amigo)à bondade(os bons momentos desfrutados, as conversas valiosas, os segredos mantidos etc.). E quando o inevitável afastamento for consolidado, finalmente saberemos o que o "verdadeiro amigo" sempre pensou sobre nós, mas guardara para si, ante uma possível discussão inválida, na qual só desmascararia, o significado da suposta amizade.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
A personalidade do "ninguém"
Como já tivera visto em um blog, eu, particularmente, prefiro a figura do "ninguém" à do "alguém". Exemplificando de maneira mais clara, em uma sociedade onde qualquer idiota é capaz de tornar-se famoso, ter sucesso e ser prestigiado às custas da ignorância humana, sempre visualizei com uma certa admiração, a figura da personalidade implícita. O sujeito que não encaixa-se em rótulos comumente usados, geralmente individualista, rejeitando qualquer ignorância bombardeada contra si. É a típica pessoa que, apesar de estar inserida na sociedade, sente um enorme desconforto perante à inúmeras formalidades inúteis e ilógicas, focalizando em suas próprias ideias e convicções. Esses sujeitos, em sua maioria, assistem televisão, utilizam a internet como interação social e jogam games banais como qualquer outra pessoa. A única diferença, no entanto, é a maneira de visualizar o mundo e as pessoas, ampliando sua percepção diante da realidade, permintindo-os, melhor entendimento acerca dos mistérios científicos, empíricos, filosóficos e até mesmo religiosos. Por isso, há, no modo humano de amplificar seus conhecimentos, uma facilidade rotineira à essas pessoas em pensar e vivenciar melhor suas próprias vidas.
Pessoas são estranhas.
"People are strange". Já dizia o poeta musical Jim Morrison, no título de uma das mais famosas músicas do The Doors. E, de fato, pessoas são estranhas. Seja nos hábitos diários, nos costumes culturais ou no vício coletivo; não seguimos uma linha de raciocínio, porque nos custa enxergar o óbvio e o essencial, como os outros seres vivos costumam fazer. Criamos atividades desnecessárias, programas culturalmente pobres e obrigações completamente nonsenses. Estamos cercados pela lei da massa, pelas conveniências sociais e pela ética moral de nosso sistema. Não podemos fugir, escapar ou mesmo nos esconder. Essa é nossa sina. O caminho derradeiro pelo curso da vida, no qual, muitas pessoas preferem acreditar "ser bom", pela confortabilidade oferecida por essa ótica distorcida da realidade. Na verdade, não há uma ótica real e verdadeira, porque tudo não passa de um amplo relativismo ; mas particularmente, eu acho melhor ser insatisfeito à satisfeito; os insatisfeitos buscam respostas reais - mesmo que elas lhes tragam um pouco de amargura; já os satisfeitos, permanecem estáticos com suas opiniões, impedindo que o benefício da dúvida seja discutido e que estejamos mais próximos da verdade.
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