sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Por quê?
Por quê o sonho, se a ilusão existe? Por quê o amor, se existe a dor? Por quê a alegria, se o sofrimento sobrepõe-se? Por que a liberdade, se a angústia nos aprisiona? Por quê a solidão, se temos a interação? Por quê os pássaros, se nos servem os bois? Por quê a posse, se nada é eterno? Por quê a futilidade, se tudo esvazia-se? Por quê a religião, se temos a ciência? Por quê o conforto, se conhecemos a verdade? Porque o remorso, se há apenas uma vida? Por quê a crença, se temos a miséria? Por quê o paraíso, quando estamos no inferno? Por quê o melhor dos mundos, se não existem outros? Por quê a vida, se nos basta a morte?
sábado, 21 de agosto de 2010
Desordem
Parafraseando a famosa música "Disorder", do Joy Division, venho lhes trazer uma pequena reflexão acerca do caos social, do artisticamente chamado "dadaísmo". Nada é mais comum em nossa sociedade que a busca pela ordem, pelo domínio, pelo poder; porém, por quê não poderíamos considerar a possibilidade do anarquismo estritamente prático e objetivo? Sem governantes, sem leis, sem hierarquia... apenas humanos aleatoriamente arremessados, regressando à nossa origem instintivamente primitiva. Todavia, mesmo sendo impossível conceber um anarquismo total e pleno em nossa sociedade atual, podemos perceber que nosso mundo é regido por leis estritamente limitadoras, com o claro objetivo de imperar uma mínima ordem em nossa espécie. Mas, se tudo isso é ilusório e criado por humanos iguais à nós, por quê uma hierararquia dominadora em busca do controle? Por quê a criação de leis, se nosso instinto animal não condiz com essa moralidade altamente controlada? Talvez, em tempos remotos, um intelectual persuadiu seu bando e impôs aquilo que hoje chamamos de "certo" e "errado"; "bom" e "ruim", fatores extremamente subjetivos, mas com a padronização crescente de pensamentos e ideiais, cada vez mais objetivos. E, a partir de então, ouve uma hierarquia errônea na sobreposição de valores, batendo de frente com nossos instintos mais primitivos. Pois bem; como uma desordem total seria inconcebível para os que amam o controle, a hierarquia e o dominio, é improvável que houvesse um retorno para nossa origem mais primitiva e racional, mesmo que isso significasse a plenutide que tanto sonhamos e jamais alcançamos.
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O improbabilidade do autoconhecimento
Um jogo de fachadas constantemente ilusórias. Essa pode ser uma breve constatação do que resume-se a socialização humana. Encontramos um conjuntos de leis e dogmas estritamente explicados, para que possamos peretencer à "algum grupo". Criamos ilusões esperando a vida eterna, seja no paraíso, no inferno ou na reencarnação. Desejamos, inevitavelmente, acreditar que nosso ciclo não acaba por aqui, que temos, em uma outra dimensão, algo que está à nossa eterna espera; Para que não morramos de desgosto e nossa vida não torne-se um passatempo estritamente enfadonho e tedioso, inventamos métodos capazes de suprir esse tédio e que nos ocupe para que estejamos mais longe de nós mesmos; é esse o principal interesse. Dominados pela lingaguem, pela interação desenfreada e pelas crescentes vias de comunicação(internet, por exemplo), sentimos um enorme pesar quando estamos longe de pessoas, quando estamos junto conosco e somente. Desejamos desesperadamente uma interação, uma comunicação, algo que nos traga à frente nosso infindável desejo de nos afastar de nós mesmos. Odiamo-nos e fingimos não saber disso, para que não sejamos rotulados como "deprimidos". Acreditamos que tudo que podemos desfrutar na vida está no admirável mundo por detrás das esquinas, das ruas, dos shoppings, das festas e toda superficialidade existentente. E, quando irreversivelmente seremos nossa maior compahnia, saberemos mais dos outros do que nós mesmos.
Vazio
O vazio é inerente ao homem.
Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.
Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Pensar em demasia
Não sou homem; sou dinamite.
Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.
Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.
Caos
Largando tua mão
Saberei onde encontrá-la
Sem saber onde encontrar-me
Rumando à uma intensa explosão
E quando o raio de sol ilumiar nosso caminho
Reclinaremos nosso corpo pelo tão sonhado desejo`
Enquanto as sombras penetrarão pelo vazio da alma
E nosso mundo esteja novamente desordenado
Quando soubermos o que fazer, estaremos perdidos
Porque não há nada melhor que essa imprevisibilidade
Rumando ao caos eu quero estar, longe dos estáticos
Sabendo que hei de encarar uma enorme vulnerabilidade
Nossos pés estremecem
A interminável noite coloca-se diante de nós
Tolos; fragéis; insanos
Estaremos perdidos até que haja um caminho irreversível para qual seguir
Saberei onde encontrá-la
Sem saber onde encontrar-me
Rumando à uma intensa explosão
E quando o raio de sol ilumiar nosso caminho
Reclinaremos nosso corpo pelo tão sonhado desejo`
Enquanto as sombras penetrarão pelo vazio da alma
E nosso mundo esteja novamente desordenado
Quando soubermos o que fazer, estaremos perdidos
Porque não há nada melhor que essa imprevisibilidade
Rumando ao caos eu quero estar, longe dos estáticos
Sabendo que hei de encarar uma enorme vulnerabilidade
Nossos pés estremecem
A interminável noite coloca-se diante de nós
Tolos; fragéis; insanos
Estaremos perdidos até que haja um caminho irreversível para qual seguir
A confortabilidade da morte
A vida, apesar de todos os percausos e atribulações, não passa de um efêmero passatempo. Saber que na verdade, todos estamos condenados à um fim inevitável(morte), faz com que a vida seja uma passagem consideravelmente suportável. A morte, tão sombria e evitada por todos, é justamente o fator que atribui algum valor à vida. Se nunca morrêssemos, para quê viveríamos? Qual seria o valor da vida sem que essa houvesse um final inevitável? Pois é; mesmo que relutemos em admitir e, por muitas vezes, amedontramo-nos perante a morte, ela é o que faz de tudo minimamente suportável; saber que as dores pessoais, as angústias criadas ao longo da vida terão um fim, é, no mínimo, reconfortante. Por isso, não sei porque uma necessidade praticamente doentia à procura de uma religião e uma falsa concepção da vida eterna; a morte é o melhor que a vida nos oferece, e conceber uma vida eterna, na minha opinião, seria, no mínimo, altamente aterrorizante. Portanto, não temo a morte como muitos. Vivo meu curso biológico, mas sem temer o inevitável, que, fatalmente, transformará minha existência em mais uma de tantas inexistências.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Estrada da Vida
Preso no suspiro, no olhar
Movido pelo sonho da ilusão
Caminhando e marchando, sem hora para terminar
Sozinho no escuro, encurralado pela decepção
Na estrada do mal, encontro inimigos
Na estrada do amor, encontro paixão
Na estrada do bem, encontro amigos
E na estrada da vida, encontro uma lição
Solitário, nessa estrada eu vou andar
Sem rumo, sem volta e sem direção
Para um caminho eu encontrar
O reflexo do espelho, reluz o brilho do olhar
As perdas, as conquistas e os sonhos
Para um dia eu encontrar
Movido pelo sonho da ilusão
Caminhando e marchando, sem hora para terminar
Sozinho no escuro, encurralado pela decepção
Na estrada do mal, encontro inimigos
Na estrada do amor, encontro paixão
Na estrada do bem, encontro amigos
E na estrada da vida, encontro uma lição
Solitário, nessa estrada eu vou andar
Sem rumo, sem volta e sem direção
Para um caminho eu encontrar
O reflexo do espelho, reluz o brilho do olhar
As perdas, as conquistas e os sonhos
Para um dia eu encontrar
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Sobre o blog... E sobre o autor
Um post tardio sobre os "motivos do blog" e um pouco sobre eu, mas antes tarde do que nunca. Criei esse espaço para publicar minhas reflexões, meus pensamentos, meus textos ou tudo que considere útil para ser postado. Não tenho pretensão alguma de modificar o jeito de pensar de outrém, tampouco agredir verbalmente. Apenas escrevo aquilo que me dá na telha, delírios aparantementes nonsenses de alguém potencialmente insatisfeito, observador e reflexivo. Não sou perfeito, aliás, considero-me extremamente longe da perfeição(assim como qualquer ser humano.) Meus interesses maiores são sobre cinema, filosofia e psicologia. Porém, também interesso-me por jornalismo, literatura, direito e ciências, com menor potencial. Sou um ateu agnóstico(não creio em Deus pela insuficiência de evidências consideráveis), contudo, jamais admitirei ter conciência absoluta da inexistência dessa entidade, só que, ante o conforto proporcionado pela religião, uma necessidade instintiva pela busca da verdade. Ademais, sou cético(portanto, acredito que seja impossível ter certeza absoluta acerca da verdade). Estarei sempre aberto à qualquer tipo de debate, desde que haja um respeito e restrições quanto às famosas falácias. Apesar da minha natureza em busca pela verdade limitada, admito que não é o jeito mais fácil de lidar com o que nos rodeia. Quando minha ótica honesta esvazia todas as ilusões existentes(inclusive as mais sólidas e intocáveis), há uma amarga constatação do vazio emergente sobre aquilo que consideramos "tudo". Talvez eu seja um realista terrivelmente sombrio, porém, jamais conseguiria restringir-me à superficialidade da minha pessoa e não usar o mais precioso dom que nos foi concebido.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Amizade Verdadeira?
Baseando-me no famoso rótulo de "amigos verdadeiros", iniciarei meu texto retratando até que ponto essa tão valiosa amizade, é capaz de aguentar. Diante da bajulação, da supervalorização e dos bons momentos vivenciados com seu melhor amigo, estaremos extremamente longe de qualquer constatação verdadeira sobre o que tal indivíduo realmente pensa sobre nosso respeito. Os bons momentos são aproveitados, conversas são ampliadas(pois estará com seu mais valioso amigo, ora) e até os momentos mais complicados, servirão como prova firme do valor da sua amizade. Porém, ora ou outra, acontece uma briga da qual ambas as partes não esperavam, mas acabou ocorrendo. O real valor da amizade está em questão(para ambos os lados). Suponhemos que determinado indivíduo descubra que seu melhor amigo, aplicou uma traição, não só contra outrem, mas contra a amizade em si. Dentro desse contexto, o primeiro amigo(o traído), dificilmente aceitará prováveis desculpas, desfazendo, pelo menos por momentos, o laço de amizade. Por outro lado, o segundo amigo(o traidor), arrependido, pedirá desculpas e tentará se redmir a qualquer custo(mesmo sabendo que não admitiria sendo com ele). A partir dessa situação hipotética, porém possível, leva-nos a crer que, apesar dos inúmeros bons momentos desfrutatos durante a realação recíproca entre ambos, nada voltará a ser como antes, por causa de um erro cometido. Outro ponto questionável, a sobreposição da maldade(no caso, o erro do amigo)à bondade(os bons momentos desfrutados, as conversas valiosas, os segredos mantidos etc.). E quando o inevitável afastamento for consolidado, finalmente saberemos o que o "verdadeiro amigo" sempre pensou sobre nós, mas guardara para si, ante uma possível discussão inválida, na qual só desmascararia, o significado da suposta amizade.
Parábola do recipiente vazio

Recipientes vazios aceitam qualquer coisa. Seja um suco, biscoitos, refrigerante ou até mesmo ignorância. Dentro desses recipientes, há, no processo de preenchimento, uma total falta de critério perante à absorção. O recipiente absorverá qualquer tipo de elemento; seja ele certo ou errado; bom ou ruim; profundo ou superficial; legal ou chato. Não interessa, pois ao recipiente vazio, qualquer elemento é válido, mesmo que seja maléfico para si mesmo. Recipientes também aceitam ilusões irracionais, ignorância alheia e mentiras mascaradas. No processo de esvaziamento, no entanto, há um método bastante inusitado: não contente com o preenchimento de tais contribuintes, o receptor, esvazia os elementos antes mesmo de assimilar seus efeitos e suas possíveis consequencias. Diante da superficialidade não assimilada pelo receptor, há, claramente, uma total falta de sentido para tudo que tivera absorvido, ao passo que esvazia os elementos de forma abrupta e radical. Quando isso ocorre, há para o receptor, uma amarga tristeza, constatando que entrou no processo vazio e saiu do mesmo modo, sem qualquer tipo de retenção benéfica.
Sobre a realidade e o nada
Existimos em um imenso e abrangente nada, no qual denominamos "universo". Nascemos, aprendemos à andar, falar, e, mais futuramente, ter conciência sobre o amplo contexto social em que vivemos. Dentro dessa linha racional, somos praticamente incapazes de colocar nossos pés no chão; não por ser difícil visualizá-lo, mas sim por ser difícil encará-lo. Acreditar no concreto, no real, é tão difícil quanto controlar seus sentimentos, por maior que seja seu esforço. Diante desse esvaziamento praticamente inconcebível de nossas ilusões mais sólidas, estaremos frente à realidade. Mas, afinal: O que é realidade? Apagando todas as ilusões existentes, só nos resta uma real e verdadeira constatação: o nada. E admitir tal postura não me coloca como um ser pessimista, tampouco derrotista. Apenas, tratando-se do assunto realidade, é somente uma constatação óbvia, ao passo que ao esvaziarmos nossas ilusões ao zero, não sobrará nada além do imenso vácuo resultante dos processos conseguintes. Portanto, admitir a realidade, nada mais é que pisar na verdade, que diferentemente do conceito geral, não é sólido, tampouco duro. É apenas um enorme vazio, onde até nossas crenças mais convictas, estão guardadas no armário das ilusões.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
A personalidade do "ninguém"
Como já tivera visto em um blog, eu, particularmente, prefiro a figura do "ninguém" à do "alguém". Exemplificando de maneira mais clara, em uma sociedade onde qualquer idiota é capaz de tornar-se famoso, ter sucesso e ser prestigiado às custas da ignorância humana, sempre visualizei com uma certa admiração, a figura da personalidade implícita. O sujeito que não encaixa-se em rótulos comumente usados, geralmente individualista, rejeitando qualquer ignorância bombardeada contra si. É a típica pessoa que, apesar de estar inserida na sociedade, sente um enorme desconforto perante à inúmeras formalidades inúteis e ilógicas, focalizando em suas próprias ideias e convicções. Esses sujeitos, em sua maioria, assistem televisão, utilizam a internet como interação social e jogam games banais como qualquer outra pessoa. A única diferença, no entanto, é a maneira de visualizar o mundo e as pessoas, ampliando sua percepção diante da realidade, permintindo-os, melhor entendimento acerca dos mistérios científicos, empíricos, filosóficos e até mesmo religiosos. Por isso, há, no modo humano de amplificar seus conhecimentos, uma facilidade rotineira à essas pessoas em pensar e vivenciar melhor suas próprias vidas.
Acaso
Somos vítimas do acaso. E admitir tal condição não requer grande dose de reflexão ou pesquisa, já que por si só, carecemos de sentido existencial. Não há quando nascemos, um método comprovado que decifre nosso sentido dentre todas as imprevisibilidades da vida. Nascemos, sobrevivemos(existimos) e morremos(quando deixamos de existir, pelo menos do ponto de vista biológico). Não há mistério, ambiguidade ou dúvida quando constatamos nossa existência(aplicando-se, somente, à termos físicos). Não somos mais especiais e/ou mais importantes que outros seres vivos; nos colocar à frente das plantas, do boi ou da vaca, seria prepotente demais considerando a proporção gigantesca que o universo abrange. Mas por simples desejo de tornar tudo que nos rodeia mais fácil e manipulável, acreditamos ser o centro do universo, da vida, da criação divina. É mais fácil ter essa falsa-ideologia existencial, do que admitir que somos apenas um grande acaso ocorrendo dentro do universo.
Pessoas são estranhas.
"People are strange". Já dizia o poeta musical Jim Morrison, no título de uma das mais famosas músicas do The Doors. E, de fato, pessoas são estranhas. Seja nos hábitos diários, nos costumes culturais ou no vício coletivo; não seguimos uma linha de raciocínio, porque nos custa enxergar o óbvio e o essencial, como os outros seres vivos costumam fazer. Criamos atividades desnecessárias, programas culturalmente pobres e obrigações completamente nonsenses. Estamos cercados pela lei da massa, pelas conveniências sociais e pela ética moral de nosso sistema. Não podemos fugir, escapar ou mesmo nos esconder. Essa é nossa sina. O caminho derradeiro pelo curso da vida, no qual, muitas pessoas preferem acreditar "ser bom", pela confortabilidade oferecida por essa ótica distorcida da realidade. Na verdade, não há uma ótica real e verdadeira, porque tudo não passa de um amplo relativismo ; mas particularmente, eu acho melhor ser insatisfeito à satisfeito; os insatisfeitos buscam respostas reais - mesmo que elas lhes tragam um pouco de amargura; já os satisfeitos, permanecem estáticos com suas opiniões, impedindo que o benefício da dúvida seja discutido e que estejamos mais próximos da verdade.
Fragilidade
O vazio da nossa vida é apenas um reflexo da nossa própria existência. Há, principalmente na sociedade contemporânea, um menosprezo diante da constatação do tédio; isso porque não é o tédio que tanto nos incomoda; o que nos incomoda, na verdade, é a concientização que inúmeros passatempos criados(video-game, filme, literatura, baralho etc.) não são capazes de sanar por completo, nosso inevitável abismo diante da realidade. Por isso, filosofia costuma nos aborrecer tanto, pois, frente à nossa vulnerabilidade, há uma amarga constatação que criamos passatempos banais para suportarmos de maneira mais digna, a nossa existência. Enquanto animais lutam, guerream e devoram-se pela busca da sobrevivência(que no fundo, é só o que importa), nós, dotados de inteligência e racionalidade, somos incapazes de vivenciar uma realidade sem nenhuma comodidade moderna, reforçando a tese da nossa imensa fragilidade perante à vida.
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