sábado, 1 de janeiro de 2011

A voz do desespero




Há pouco de 30 anos morria Ian Kevin Curtis, da sombria banda Joy Division. Ian Curtis era um daqueles sujeitos difíceis de descrever... angustiado, introspectivo, epilético e genial, Curtis foi tomado, durante seus breves 23 anos de existência, por uma terrível sensação: a da solidão. Uma sensação poucas vezes experimentada pelos mortais, uma solidão existencial, uma sensação de estar em todos os lugares, mas não pertencer à nenhum deles. Curtis não sabia como lidar com o sucesso crescente do Joy Division, assim como sentia-se culpado pela relação extraconjugal que estava tendo com uma bela jornalista belga, além de não se achar(o que realmente não era) um bom pai. Alguns dizem que, a profundidade do poeta nunca coube desse mundo, por isso, ainda jovem, suicidou-se. Eu, em contrapartida, creio que Curtis foi um indivíduo como os outros que, com uma sensibilidade acima da média e sérios problemas de relacionamento, sentiu-se atormentado demais para viver nesse mundo. Sentiu que, acima de tudo, seus fantasmas não cabiam aqui. Por esse motivo, deu cabo a própria vida e até hoje, é considerado uma das vozes mais aflitas do rock. Suas letras servem como diagnóstico claro de sua personalidade sombria; lotadas de referência à dor, morte, alienação e violência, refletem aquilo que Curtis sentia e não partilhava com ninguém. Somente consigo mesmo, através da música.


Em contrapartida, os outros membros da banda não tinham nada de cinzento. Logo após o suicídio do líder conturbado, criaram uma nova banda, chamada New Order; com uma sonoridade completamente diferente, demonstravam que aquele clima claustrofóbico do Joy Division era um reflexo claro da personalidade confusa de seu vocalista.

P.S.: Depois eu posto dois dois vídeos da banda. É porque estou apanhando aqui pro html. Enfim, quem quiser conferir antes, é só escrever "Joy Division" youtube e ir adiante.


Nenhum comentário:

Postar um comentário