domingo, 2 de janeiro de 2011

No escuro, tudo fica mais claro

Na solidão da madrugada é que os homens conhecem seus verdadeiros demônios. Eu, por exemplo, sou um desses caras. Troco o dia pela noite nas férias, pelo simples apreço que tenho pela madrugada e seus alicerces. O silêncio, a solitude, tudo é processado de melhor maneira, não é à toa que grande parte dos meus textos são escritos nesse horário. Enquanto todos dormem, eu consigo organizar meus pensamentos, reavaliar meus desejos, redefinir meus gostos. O silêncio proporciona uma sensação unica, da qual poucas vezes podemos experimentar no dia-a-dia... Em contrapartida, os fantasmas estão mais intensos, pois frente à si mesmo, não pode renunciá-lo como faz no decorrer do dia. É preciso mergulhar, adentrar, afundar, para que sua volta seja gloriosa e possa desmistificar alguns desses tormentos. E só assim, finalmente, é possível dormir; exorcisando meus demônios, para que minha mente esteja em perfeita sintonia com minha parte biológica e repetir tal hábito dia após dia.

sábado, 1 de janeiro de 2011

A voz do desespero




Há pouco de 30 anos morria Ian Kevin Curtis, da sombria banda Joy Division. Ian Curtis era um daqueles sujeitos difíceis de descrever... angustiado, introspectivo, epilético e genial, Curtis foi tomado, durante seus breves 23 anos de existência, por uma terrível sensação: a da solidão. Uma sensação poucas vezes experimentada pelos mortais, uma solidão existencial, uma sensação de estar em todos os lugares, mas não pertencer à nenhum deles. Curtis não sabia como lidar com o sucesso crescente do Joy Division, assim como sentia-se culpado pela relação extraconjugal que estava tendo com uma bela jornalista belga, além de não se achar(o que realmente não era) um bom pai. Alguns dizem que, a profundidade do poeta nunca coube desse mundo, por isso, ainda jovem, suicidou-se. Eu, em contrapartida, creio que Curtis foi um indivíduo como os outros que, com uma sensibilidade acima da média e sérios problemas de relacionamento, sentiu-se atormentado demais para viver nesse mundo. Sentiu que, acima de tudo, seus fantasmas não cabiam aqui. Por esse motivo, deu cabo a própria vida e até hoje, é considerado uma das vozes mais aflitas do rock. Suas letras servem como diagnóstico claro de sua personalidade sombria; lotadas de referência à dor, morte, alienação e violência, refletem aquilo que Curtis sentia e não partilhava com ninguém. Somente consigo mesmo, através da música.


Em contrapartida, os outros membros da banda não tinham nada de cinzento. Logo após o suicídio do líder conturbado, criaram uma nova banda, chamada New Order; com uma sonoridade completamente diferente, demonstravam que aquele clima claustrofóbico do Joy Division era um reflexo claro da personalidade confusa de seu vocalista.

P.S.: Depois eu posto dois dois vídeos da banda. É porque estou apanhando aqui pro html. Enfim, quem quiser conferir antes, é só escrever "Joy Division" youtube e ir adiante.


O caminho

Aquele caminho era demasiado sombrio para explorar. Os sonhos estavam submersos por uma sombria capa de plástico. Nada daquilo parecia real, digno de existir. Tudo ainda estava distante dos sonhos que tivera, daquilo que um dia imaginei como solidão. Era muito além de qualquer projeto humano. O túnel estava sendo tomado por um silêncio jamais experimentado, por palavras ainda não pronunciadas. O breu parecia interminável naquela reta, talvez porque aquele túnel fosse realmente infinito. Ficara com medo de adentrar por aquele local até então desconhecido, escuro, quiçá até assombrado. Meu coração palpitava intensamente, como uma cigarra cantarolando num belo alvorecer. Era o único som que escutava. O barulho do coração chocando-se contra o peito pareciam verdadeiras explosões, apoteoses naturais, provavelmente amplificado pela sensação momentânea. Entretanto, lembro-me que acordei, nesse exato momento... levando-me à recordar que solidão verdadeira não existe, não nesse mundo. Infelizmente.

2011 (ou mais um dia qualquer)

A transição entre os anos sempre pareceu um dia normal para mim. Não culturalmente, porque sempre há aquela tradicional reunião entre familiares, foguetório, bebedeira... digo objetivamente mesmo. As coisas não serão melhores ou piores porque mudamos de ano e pronto. As pessoas vão deixar de sofrer porque desejamos "votos de paz" ou não ficaremos ricos por causa de lentilhas. Podemos gostar do gosto das lentilhas e preferir pedir um "feliz ano novo", mas nada disso, de fato, irá mudar alguma coisa. O que realmente poderá mudar, são as nossas atitudes, os nossos gostos, os nossos amigos... tudo isso pode(e costuma) mudar, de ano para ano. E não pensemos que é por causa de uma virada anual culturalmente inútil... é somente porque é uma das leis da vida; a mudança. Assim como muita coisa provavelmente mudará em 2011, muita coisa mudou no decorrer de 2010. É somente uma data, mas como as pessoas têm uma inexplicável necessidade de festas, manutenção de tradições antigas e orações positivas, comemoramos a virada anual como uma data realmente especial. Vestimos brancos, pulamos 7 ondas e usamos cuecas novas (generalizando as tradições mais comuns). Mas o que vale, no final, é reunir os familiares, curtir o primeiro porre do ano e curtir o bom e velho rock and roll. Porque o resto, é resto...