quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ao lado

Tu me sufocas com tua dor
Seu sofrimento irreversível
Transforma-nos em um só
Um coração, uma alma, um espírito

Quanto estivermos perdidos
Podemos sorrir ao alento do viver
Porque prova da sanidade é a loucura
De estar distante do tudo

E no nada vamos mergulhar
Afundaremos nossos sonhos
Esqueceremos das ilusões
Para resgatar os porquês

Calmamente voltaremos
À essa tola superfície
Permeada pelos mortais
Entorpecidos pelos seus ideais

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os extremos de um encontro

Tu és tudo
Enquanto eu sou nada
Tu és dia
Enquanto eu sou noite

Tu és completa
Enquanto eu sou vazio
Tu estás alegre e sorridente
Enquanto eu estou triste e calado

Tu és o sol da alvorada
Enquanto eu sou a lua do anoitecer
Tu és a felicidade em movimento
Enquanto eu sou a tristeza em sentimento

Tu és a luz do esplandecer
Enquanto eu sou a sombra do existir
Tu moves montanhas através de seu sorriso
Enquanto eu ponho barreiras através do meu escapismo

As memórias da vida

As memórias serão destruídas
Pela linha do tempo
As dores serão aumentadas
Pelo caminho que temos

A vida sempre será
Aquilo que nunca foi
Terra de desespero e sofrimento
À espera de um alento

Como um projéctil despedaçado
Representado desejos e emoções
De um sonho repleto de falhas e lacunas
Saciando sua solidão

Quando o poeta pensar no que escrever
Esconda-se do vazio da noite
Procurando no existir e no viver
O sentido para o seu esplandescer




terça-feira, 9 de novembro de 2010

Solidão




Quis esquecer as ilusões vividas, os mistérios insolúveis. Acreditei em sonhos, atendi aos meus desejos, desafiei meus medos. Enfrentei as barreiras, suportei a dor, me esqueci do sofrimento. O tempo não muda quase nada, mas tem uma ferramenta útil para controlar nossa dor: o alívio. Tudo acaba sendo aliviado, de uma forma ou outra, mas nunca completamte curado.. Meus vícios corroem minhas noites, assim como minhas virtudes alegram os meus dias. Os demônios internos permanceem escondidos até que um divino mortal venha e os pegue, com toda santidade e amabilidade que lhes cabe.

E como os sonhos permancerão assim, afundados na agonia do imaginário, viverei o que me resta, afinal, não poderei viver outra coisa. A agonia de permanecer vagando pela solidão, sem rumo, sentido ou direção martelam minha mente e angustiam minha conciência, perdendo o próprio humano que encontra-se debaixo dos meus ossos. A solidão, que tanto desafiei ao longo da minha vida, parece minha amiga, talvez a mais presente delas; aprendi a lidar com essa condição, pois a aceitei, assim como ela me aceita. Os jogos, as conversas, as inutilidade do ser e existir, não me saciam mais da mesma forma; minha sina é essa, a solidão resgatada do fundo da minha alma que vagueia pelos horizontes ainda inexplorados. A cada dia que passa, uma nova dor palpita os meus sonhos, uma alegria esplandesce meu viver. A mesmice da vida prática, tão desprezível e irrelevantente, parece ser contrariada por esse artefato tão valioso e poderoso, mesmo que invisível à multidão.

sábado, 6 de novembro de 2010

O tédio e seus alicerces

Os requisitos da vida são, de suma sabedoria e conhecimento, maleável de ser humano para ser humano, depedendo assim, da individualidade de cada um. Os argumentos, oriundos de mentes sábias e com profundo conhecimento acerca do assunto, pode ser de total indiferença àqueles que não estão por dentro do assunto, ou, indo além, não querem saber.(adminto vossa ignorância e sua permanencia estática.) O tédio, principal inimigo da humanidade, aflora-se de diferentes maneiras, nos mais diferentes âmbitos. Por quê a cultura, um dos alicerces de maior valor à um país, não seria um resultado diferente para nosso tédio? Por quê as "conversas banais", tão praticadas pelos seres humanos, não poderia ser outra constatação desse agravante male? E, por quê a internet, tão próxima do dia-a-dia de muitas pessoas(não só os jovens, como se imagina) não pode ser outro fato demonstrando nosso vazio? A vida é preenchida pelas lacunas dos sentidos, onde, para que tudo pareça fácil e digno de prosseguimento, colocamos tais objetivos, mesmo que esse seja tão tolo e inócuo quanto nós.

Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os analgésicos da existência

Os fracassados entregam-se às mentiras de suas vidas. Empanturram-se de analgésicos naturais, como um meio benéfico para aliviar as dores vividas. O consolo para os solitários, os infelizes e os ordinários é a desgraça alheia, a miséria a nossa volta... e somente isso pode consolar tais figuras. Saber que existe alguém, em algum canto do universo, que está sofrendo muito mais que você, foi sempre um aspecto reconfortante aos humanos, mesmo que odiemos admitir. Nosso riso só é verdadeiro quando a vista é olhada pelo lado humorístico, enxergando-a como uma enorme piada(sem graça, obviamente). O fardo de existir pesa na nossa consciência e nossas angústias só são saciadas com alguma válvula de escape, pois sem elas, certamente enlouqueceríamos. Cada qual segue de sua maneira, encontrando em vias distintas, o preenchimento das lacunas internas, mesmo que no final de tudo, essas lacunas permaneçam no nosso interior.

Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A liberdade e sua dimensão


O campo da liberdade parece muito abrangente, subjetivo e vago. E quem acha isso, realmente tem razão. Limitar a liberdade em poucas palavras, ou somente em um ou dois conceitos é pouco para uma questão tão instigante e provocativa. Filósofos e intelectuais passaram anos tentando entender esse conceito, passando de Kant até o filósofo francês proliferador do existencialismo, Sartre, passando por Schopenhauer, o maior dos pessimistas. Com opiniões diferentes, cada filósofo divagou e estudou a liberdade em seus mais variados aspectos, incluindo o que mais me chama atenção: a liberdade do ponto de vista existencial. E desse ponto farei como alicerce do meu texto: afinal, o que é liberdade? Difícil entendê-la, explicá-la e, mais que isso, tê-la. Não acredito que a liberdade seja inerente à natureza humana, tampouco de outros animais; acredito que a liberdade seja uma opção, talvez a melhor delas, mas não esteja tão conectada conosco. Somos livres se quisermos ser livres, se fizermos por onde e, principalmente, se cumprirmos as obrigações morais de cada sociedade, em cada época distinta. Portanto, até mesmo a liberdade, uma de nossas maiores dádivas, está limitada às regras sociais e, mesmo que tentemos infringi-las ou burlá-las, estaremos ultrapassando a tal deseja liberdade. Indo mais além, será mesmo que a liberdade existe? Ou ela é apenas uma utopia fantasiosa e irreal, da qual tiramos proveito para nosso próprio bem-estar? Difícil dizer; impossível chegar a uma conclusão precisa e irrefutável. Apenas podemos perceber que, para termos liberdade, devemos restringir nossas vontades à um conjunto dogmático de regras, o que já infringe, mesmo que indiretamente, o conceito humano de ser livre.

domingo, 17 de outubro de 2010

A arte da vida

Necessitamos de tudo

Precisamos de pouco

Na interminável noite sombria

E até no suave amanhecer


Diante do sol estaremos

Procurando uma sombra

Ou esperando o anoitecer

Até o belo dia terminar


Continuaremos nessa estrada

Mesmo que nossos sonhos esvaziem-se

E nossa força acabe

Lutaremos como bravos guerreiros

Sonhando com uma vida melhor


Andaremos suaves como o vento

Fortes como um trovão

No escuro da solidão
E na luz da interação


No final olharei

Tudo que fizera

Os erros e acertos

De uma vaga ilusão.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os pedestres da vida

Na avenida da vida, todos são pedestres. Não importa a força, a importância, a posição hierárquica da pessoa, todos estão sujeitos às imprevisibilidades da vida. Chegamos desavisados, vivemos sabendo pouco e saímos da mesma forma. Tentativas frustradas de saber nossa verdadeira origem não passam, no final das contas, de um mero passatempo para que nos esquivemos da crueza do cotidiano. Acordar, conversar, alimentar-se, estudar, aprender, sorrir, discutir, chorar, caminhar... é isso que nos resta, e, mesmo quando estivermos descontentes com "nossa vida", permaneceremos com ela, porque é isso que temos; o cotidiano, as risadas, os choros, os encontros e desencontros da vida. E, por maior que seja nossa decepção perante a isso, estaremos com um sorriso no rosto, pela dificuldade de mudar qualquer coisa - mesmo que isso implique em nós e tão-somente. Ninguém, por mais que tente, assumirá a posição de motorista, sequer do carona ou passageiro, não pela dificuldade imposta, e sim pelas nossas próprias limitações, que, de certa forma, tornam tudo relativamente suportável, até mesmo uma intensa dor. E no final de tudo, não passaremos de atribulados pedestres, procurando um lugar, talvez um lugar inexistente...