quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Um eterno apocalypse
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Ao lado
Seu sofrimento irreversível
Transforma-nos em um só
Um coração, uma alma, um espírito
Quanto estivermos perdidos
Podemos sorrir ao alento do viver
Porque prova da sanidade é a loucura
De estar distante do tudo
E no nada vamos mergulhar
Afundaremos nossos sonhos
Esqueceremos das ilusões
Para resgatar os porquês
Calmamente voltaremos
À essa tola superfície
Permeada pelos mortais
Entorpecidos pelos seus ideais
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Os extremos de um encontro
Enquanto eu sou nada
Tu és dia
Enquanto eu sou noite
Tu és completa
Enquanto eu sou vazio
Tu estás alegre e sorridente
Enquanto eu estou triste e calado
Tu és o sol da alvorada
Enquanto eu sou a lua do anoitecer
Tu és a felicidade em movimento
Enquanto eu sou a tristeza em sentimento
Tu és a luz do esplandecer
Enquanto eu sou a sombra do existir
Tu moves montanhas através de seu sorriso
Enquanto eu ponho barreiras através do meu escapismo
As memórias da vida
Pela linha do tempo
As dores serão aumentadas
Pelo caminho que temos
A vida sempre será
Aquilo que nunca foi
Terra de desespero e sofrimento
À espera de um alento
Como um projéctil despedaçado
Representado desejos e emoções
De um sonho repleto de falhas e lacunas
Saciando sua solidão
Quando o poeta pensar no que escrever
Esconda-se do vazio da noite
Procurando no existir e no viver
O sentido para o seu esplandescer
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Solidão

Quis esquecer as ilusões vividas, os mistérios insolúveis. Acreditei em sonhos, atendi aos meus desejos, desafiei meus medos. Enfrentei as barreiras, suportei a dor, me esqueci do sofrimento. O tempo não muda quase nada, mas tem uma ferramenta útil para controlar nossa dor: o alívio. Tudo acaba sendo aliviado, de uma forma ou outra, mas nunca completamte curado.. Meus vícios corroem minhas noites, assim como minhas virtudes alegram os meus dias. Os demônios internos permanceem escondidos até que um divino mortal venha e os pegue, com toda santidade e amabilidade que lhes cabe.
E como os sonhos permancerão assim, afundados na agonia do imaginário, viverei o que me resta, afinal, não poderei viver outra coisa. A agonia de permanecer vagando pela solidão, sem rumo, sentido ou direção martelam minha mente e angustiam minha conciência, perdendo o próprio humano que encontra-se debaixo dos meus ossos. A solidão, que tanto desafiei ao longo da minha vida, parece minha amiga, talvez a mais presente delas; aprendi a lidar com essa condição, pois a aceitei, assim como ela me aceita. Os jogos, as conversas, as inutilidade do ser e existir, não me saciam mais da mesma forma; minha sina é essa, a solidão resgatada do fundo da minha alma que vagueia pelos horizontes ainda inexplorados. A cada dia que passa, uma nova dor palpita os meus sonhos, uma alegria esplandesce meu viver. A mesmice da vida prática, tão desprezível e irrelevantente, parece ser contrariada por esse artefato tão valioso e poderoso, mesmo que invisível à multidão.
sábado, 6 de novembro de 2010
O tédio e seus alicerces
Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Os analgésicos da existência
Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
A liberdade e sua dimensão
O campo da liberdade parece muito abrangente, subjetivo e vago. E quem acha isso, realmente tem razão. Limitar a liberdade em poucas palavras, ou somente em um ou dois conceitos é pouco para uma questão tão instigante e provocativa. Filósofos e intelectuais passaram anos tentando entender esse conceito, passando de Kant até o filósofo francês proliferador do existencialismo, Sartre, passando por Schopenhauer, o maior dos pessimistas. Com opiniões diferentes, cada filósofo divagou e estudou a liberdade em seus mais variados aspectos, incluindo o que mais me chama atenção: a liberdade do ponto de vista existencial. E desse ponto farei como alicerce do meu texto: afinal, o que é liberdade? Difícil entendê-la, explicá-la e, mais que isso, tê-la. Não acredito que a liberdade seja inerente à natureza humana, tampouco de outros animais; acredito que a liberdade seja uma opção, talvez a melhor delas, mas não esteja tão conectada conosco. Somos livres se quisermos ser livres, se fizermos por onde e, principalmente, se cumprirmos as obrigações morais de cada sociedade, em cada época distinta. Portanto, até mesmo a liberdade, uma de nossas maiores dádivas, está limitada às regras sociais e, mesmo que tentemos infringi-las ou burlá-las, estaremos ultrapassando a tal deseja liberdade. Indo mais além, será mesmo que a liberdade existe? Ou ela é apenas uma utopia fantasiosa e irreal, da qual tiramos proveito para nosso próprio bem-estar? Difícil dizer; impossível chegar a uma conclusão precisa e irrefutável. Apenas podemos perceber que, para termos liberdade, devemos restringir nossas vontades à um conjunto dogmático de regras, o que já infringe, mesmo que indiretamente, o conceito humano de ser livre.
domingo, 17 de outubro de 2010
A arte da vida
Necessitamos de tudo
Precisamos de pouco
Na interminável noite sombria
E até no suave amanhecer
Diante do sol estaremos
Procurando uma sombra
Ou esperando o anoitecer
Até o belo dia terminar
Continuaremos nessa estrada
Mesmo que nossos sonhos esvaziem-se
E nossa força acabe
Lutaremos como bravos guerreiros
Sonhando com uma vida melhor
Andaremos suaves como o vento
Fortes como um trovão
No escuro da solidão
E na luz da interação
No final olharei
Tudo que fizera
Os erros e acertos
De uma vaga ilusão.