Um homem caminhou por terras longínquas, distantes, sombrias; caminhara durante dias com teu povo, em busca de um tesouro guardado com um antigo negociador, que prometera devolvê-lo. Finalmente em teu destino, o senhor assim disse:
"Eu estive esperando tua misericórdia e piedade diante de vossas vidas. Não sabe o quanto lutaram e caminharam para chegar nestas terras distantes, desgastadas e vazias; sabes tu que trouxera todos os teus desejos, assim como meus confidentes de expedição. Atravessamos rios, lagos, planícies e encontramos demasiada dificuldade, com um só objetivo: chegar aqui, em tua terra. E tu nos trata dessa maneira; insolente, mal-caráter e odioso; só assim posso definir tua constituição interior e psicológica, assim como tua intenção. Se soubesses por quantos solos fervente nós passamos, quanta injúria enfrentamos, trituraria-se pela pequena sanidade que ainda há em ti.
Conheço as pessoas e sei tuas dificuldades em compreender-nos, mas se fizestes isso comigo e com meu povo, jamais confiarei novamente em um ser humano, por mais nobre que ele seja. Não deveria ter acreditado em tuas promessas, malditas promessas, que jamais cumpriste ou cumprirás algum dia. Deveria estar prevenido das intenções humanas, essa terrível mesquinhez que compõe nossa raça e agir para outrem como agem comigo. Mas sou demasiado bom para isso, sou incapaz de tal feito; gostaria de agir impiedosamente, maltratar meus inimigos, obter vantagens através dos meus amigos, mas isso foge da minha natureza e só de pensar nessa possibilidade, entristece-me a alma. Meu povo, assim como eu, foi vítima da mesma armadilha que caíra: a suposta bondade humana. Poderia ter aceitado minha vida como sempre foi, rede de ilusões e disparates, vítima de tiroteios e ganância. Todavia, tenho que criar minhas falsas esperanças e tentar acreditar o mínimo possível em outrem, para que minha mente não adentre numa tempestade de loucura.
Em outrora admiti meus vícios e virtudes, sim, reconheço que já errei, como qualquer ser humano aqui presente. Em contrapartida, pedi desculpas aos que equivoquei-me, com minhas atitudes errôneas e impulsivas. Pelo contrário, você intensificou tua arrogância após 20 anos de amizade, e quantas vezes tentei ajudar, quantas vezes. Só Deus e eu sabemos o quão forte eu fui pra aguentar tua petulância, tua presunção, teus vícios e manias. Gostaria que tu soubesses o quão significante tu já fostes para mim, assim como eu sei que já fui para ti.
Ademais, voltarei para minha terra, pelo mesmo caminho que vim com meus amigos. Por essas estradas, conhecera pessoas como você, corruptas de alma e coração, assim como pude ter agrado em algumas conversas passageiras. Em suma, devo-lhe dizer o quão terrível e árdua essa viagem foi para nosso físico, psicológico e emocional, mas sei que não estás interessado e nem cairá sobre o chão diante de tanta falácia e petulância, como deves estar pensando, em seu semblante calado e taciturno."
E realmente, a paralisia do negociador estava assustando-lhe, não pela tua saúde mental naquele dado momento, mas pela crueza que tal homem poderia cometer no ato seguinte.
Após 1/2 minuto, o negociante assim disse, em tom sombrio e débil:
"Gostaria de dizer-lhe que jamais imaginaria tais palavras proferidas por tua pessoa. Jamais imaginei que tu tivestes uma imagem tão cruel e odiosa acerca da minha pessoa, por maior que seja a quantidade de erros que eu cometera no passado. Afinal, como tu mesmo me dissestes: quem nunca cometeu erros? Quem nunca foi perdoado quando não devia ou perdoou quando não devia? Quereria que entendestes minha solidão, assim como compreendera tantas outras vezes. Depois da morte da minha amável esposa, desacreditei em tudo e em todos, até mesmo em ti, meu eterno amigo. Andei por rodovias tão escuras que não imaginarias o quão sofrível fora esse caminho, para mim. Diferentemente de ti, caminhei sozinho através das cidades, procurando alento em cada ato, em cada minuto, em cada momento que permaneci vivo. Passei fome, senti dor, frio, cansaço, assim como fui tomado por uma terrível solidão, da qual espero nunca mais encontrá-la e vivê-la.
Estive com tanto medo da morte que jamais pensava sobre o quão imaturo, covarde e impulsivo eu agi com ti, só parando pra refletir meses após a minha chegada. Rezei em diversas igrejas por onde passara, procurando por um amigo tão bondoso e honroso como ti, mas como tu podes perceber, estou desesperançoso quanto à tudo e todos, portanto, de nada mais serve as pessoas para mim, tirando os esporádicos jogos de baralho, bingo ou uma partida de bilhar no bar aqui perto. Utilizo-as como degraus, dos quais subo pouco à pouco para chegar no topo. É estranho manipular de tal forma a raça humana e saber, com total lucidez, do quão corrompido eu estou pela ganância e pelo poder. Mas o que hei de fazer? Como mudar o que tornei-me por conta dos caminhos que escolhi e caminhei? Nada hei de fazer, senão embriagar-me com essa consciência misantrópica que consome minha pessoa, assim como parece consumir-lhe também.
Como tu vês, teu tesouro, lamentavelmente, não pertence mais a mim. Vendi para negociantes, que ofereceram-me um preço alto. Não tive como resistir à essa tentação, o poder sussurrou-me no ouvido e sucumbiu minha alma até conseguir vendê-lo, com muito dó. Já pensei no quão errante fui contigo e com outros inivíduos que jamais mereciam minha misantropia, mas tive que me acostumar com os erros cometidos, para assim, não entrar num êxtase de loucura. Estive próximo do suicídio, por diversas vezes; a solidão já me consumiu de tal maneira que fui obrigado à aniquilar minha própria companhia, chegando no ápice do vazio que um homem pode chegar, embriaguezes das quais jamais quero ter que reviver. Eis minha conclusão, diante disso tudo: estraguei com tantas vidas, assim como meia dúzia de homens inescrupulosos e sem coração algum fizeram comigo, levando-me à crer que fui rebaixado através do sofrimento que vivera. Quanto ao teu sofrimento, peço-lhe sinceras desculpas, por mais que eu saiba que não vai aceitá-las."
Após o diálogo, os dois apenas caíram sobre o lamaçal que ali estava formado, entregando-se ao frenesi emocional que as declarações lhes impuseram, assim como a terrível lembrança de outrora, no qual ainda eram capazes de sorrir no pôr-do-sol.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Estradas vazias
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A tragicomédia da vida
Corrói-me pensar nas insignifâncias em que já me deparei durante minha vida; essa banalidade ocasional que traz-nos à realidade, submersa através da utopia. Poderia encontrar na realidade um verdadeiro escape, um sentido, uma válvula que pudesse transformar meus dias cinzentos numa claridade arrebatadora; mas nunca encontrei-a e receio nunca conseguir encontrá-la. Daí surge a necessidade da utopia imaginária, dos pensamentos fantásticos, das ilusões permanentes. Sei que jamais um ser humano comum, conseguirá lucidamente ir de encontro com o sentido(ou falta de) que faz-se a vida; uma pessoa assim, só tem dois fins: o suicídio ou/e a loucura. E como nossa sanidade permite representar esses pensamentos, optamos pelo caminho fácil: das (des)ilusões.
Estamos inseridos numa tragicomédia tão grande quanto os filmes do Tarantino, mas sendo ainda pior; enquanto cinema geralmente trata-se de ficção(podendo refletir aspectos reais), a vida trás consigo uma crueza mórbida e indestrutível, real e palpável. Poderíamos acreditar na tragédia quando vivemos e sofremos em demasia, e consideramos cômica quando estamos no pólo contrário, ou na pior das hipóteses, vendo outrem sofrer. É por isso que costumo dizer: na dor conhecemos nossos amigos, na alegria não conhecemos ninguém, nem mesmo nossa própria identidade.
Estamos inseridos numa tragicomédia tão grande quanto os filmes do Tarantino, mas sendo ainda pior; enquanto cinema geralmente trata-se de ficção(podendo refletir aspectos reais), a vida trás consigo uma crueza mórbida e indestrutível, real e palpável. Poderíamos acreditar na tragédia quando vivemos e sofremos em demasia, e consideramos cômica quando estamos no pólo contrário, ou na pior das hipóteses, vendo outrem sofrer. É por isso que costumo dizer: na dor conhecemos nossos amigos, na alegria não conhecemos ninguém, nem mesmo nossa própria identidade.
Um eterno apocalypse
Quando o sofrimento vai, a dor permanece. Quando o amor vai, a angústia paralisia nossas vidas, estipulando limites amedrondatores. E quando o raio de sol finalmente aparecer, seremos tomados por uma chuva torrencial, avassaladora, arrebatadora. Talvez estejamos próximos do Apocalypse, ou sendo mais pessimista com uma grande dose de realismo, talvez já estejamos nele. Estamos em um eterno apocalypse moral, espiritual, humano, social. A busca insaciável pelo poder, domínio e pelo dinheiro parecem inacabáveis, e meu maior desejo seria, somente, ver um desastre tão grande que pudesse ser capaz de destruir nossas crenças mais sólidas, nossas ilusões mais protegidas pelo véu da mentira. Frente à verdade, estaremos ali; indefesos , frágeis, insanos, corrompidos até a alma pela nossa ganância pelo nada; a verdade dói e para não sofrermos mais do que já sofremos, nos iludimos com a vida eterna, com a recompensa divina e com a bondade humana. E é isso; vivemos para acreditar e tão-somente. Somos bobos, tolos, dementes sem origem, sem fim, sem propósito, tampouco sem um lugar consolidado. E nessa eterna sina estaremos, até que sejamos capazes de tapear nossas caras e encarar a verdade.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Ao lado
Tu me sufocas com tua dor
Seu sofrimento irreversível
Transforma-nos em um só
Um coração, uma alma, um espírito
Quanto estivermos perdidos
Podemos sorrir ao alento do viver
Porque prova da sanidade é a loucura
De estar distante do tudo
E no nada vamos mergulhar
Afundaremos nossos sonhos
Esqueceremos das ilusões
Para resgatar os porquês
Calmamente voltaremos
À essa tola superfície
Permeada pelos mortais
Entorpecidos pelos seus ideais
Seu sofrimento irreversível
Transforma-nos em um só
Um coração, uma alma, um espírito
Quanto estivermos perdidos
Podemos sorrir ao alento do viver
Porque prova da sanidade é a loucura
De estar distante do tudo
E no nada vamos mergulhar
Afundaremos nossos sonhos
Esqueceremos das ilusões
Para resgatar os porquês
Calmamente voltaremos
À essa tola superfície
Permeada pelos mortais
Entorpecidos pelos seus ideais
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Os extremos de um encontro
Tu és tudo
Enquanto eu sou nada
Tu és dia
Enquanto eu sou noite
Tu és completa
Enquanto eu sou vazio
Tu estás alegre e sorridente
Enquanto eu estou triste e calado
Tu és o sol da alvorada
Enquanto eu sou a lua do anoitecer
Tu és a felicidade em movimento
Enquanto eu sou a tristeza em sentimento
Tu és a luz do esplandecer
Enquanto eu sou a sombra do existir
Tu moves montanhas através de seu sorriso
Enquanto eu ponho barreiras através do meu escapismo
Enquanto eu sou nada
Tu és dia
Enquanto eu sou noite
Tu és completa
Enquanto eu sou vazio
Tu estás alegre e sorridente
Enquanto eu estou triste e calado
Tu és o sol da alvorada
Enquanto eu sou a lua do anoitecer
Tu és a felicidade em movimento
Enquanto eu sou a tristeza em sentimento
Tu és a luz do esplandecer
Enquanto eu sou a sombra do existir
Tu moves montanhas através de seu sorriso
Enquanto eu ponho barreiras através do meu escapismo
As memórias da vida
As memórias serão destruídas
Pela linha do tempo
As dores serão aumentadas
Pelo caminho que temos
A vida sempre será
Aquilo que nunca foi
Terra de desespero e sofrimento
À espera de um alento
Como um projéctil despedaçado
Representado desejos e emoções
De um sonho repleto de falhas e lacunas
Saciando sua solidão
Quando o poeta pensar no que escrever
Esconda-se do vazio da noite
Procurando no existir e no viver
O sentido para o seu esplandescer
Pela linha do tempo
As dores serão aumentadas
Pelo caminho que temos
A vida sempre será
Aquilo que nunca foi
Terra de desespero e sofrimento
À espera de um alento
Como um projéctil despedaçado
Representado desejos e emoções
De um sonho repleto de falhas e lacunas
Saciando sua solidão
Quando o poeta pensar no que escrever
Esconda-se do vazio da noite
Procurando no existir e no viver
O sentido para o seu esplandescer
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Solidão

Quis esquecer as ilusões vividas, os mistérios insolúveis. Acreditei em sonhos, atendi aos meus desejos, desafiei meus medos. Enfrentei as barreiras, suportei a dor, me esqueci do sofrimento. O tempo não muda quase nada, mas tem uma ferramenta útil para controlar nossa dor: o alívio. Tudo acaba sendo aliviado, de uma forma ou outra, mas nunca completamte curado.. Meus vícios corroem minhas noites, assim como minhas virtudes alegram os meus dias. Os demônios internos permanceem escondidos até que um divino mortal venha e os pegue, com toda santidade e amabilidade que lhes cabe.
E como os sonhos permancerão assim, afundados na agonia do imaginário, viverei o que me resta, afinal, não poderei viver outra coisa. A agonia de permanecer vagando pela solidão, sem rumo, sentido ou direção martelam minha mente e angustiam minha conciência, perdendo o próprio humano que encontra-se debaixo dos meus ossos. A solidão, que tanto desafiei ao longo da minha vida, parece minha amiga, talvez a mais presente delas; aprendi a lidar com essa condição, pois a aceitei, assim como ela me aceita. Os jogos, as conversas, as inutilidade do ser e existir, não me saciam mais da mesma forma; minha sina é essa, a solidão resgatada do fundo da minha alma que vagueia pelos horizontes ainda inexplorados. A cada dia que passa, uma nova dor palpita os meus sonhos, uma alegria esplandesce meu viver. A mesmice da vida prática, tão desprezível e irrelevantente, parece ser contrariada por esse artefato tão valioso e poderoso, mesmo que invisível à multidão.
sábado, 6 de novembro de 2010
O tédio e seus alicerces
Os requisitos da vida são, de suma sabedoria e conhecimento, maleável de ser humano para ser humano, depedendo assim, da individualidade de cada um. Os argumentos, oriundos de mentes sábias e com profundo conhecimento acerca do assunto, pode ser de total indiferença àqueles que não estão por dentro do assunto, ou, indo além, não querem saber.(adminto vossa ignorância e sua permanencia estática.) O tédio, principal inimigo da humanidade, aflora-se de diferentes maneiras, nos mais diferentes âmbitos. Por quê a cultura, um dos alicerces de maior valor à um país, não seria um resultado diferente para nosso tédio? Por quê as "conversas banais", tão praticadas pelos seres humanos, não poderia ser outra constatação desse agravante male? E, por quê a internet, tão próxima do dia-a-dia de muitas pessoas(não só os jovens, como se imagina) não pode ser outro fato demonstrando nosso vazio? A vida é preenchida pelas lacunas dos sentidos, onde, para que tudo pareça fácil e digno de prosseguimento, colocamos tais objetivos, mesmo que esse seja tão tolo e inócuo quanto nós.
Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.
Somos seres difíceis de satisfazer e quando finalmente temos por tomada essa satisfação tão almejada, procuramos outra banalidade com a qual nos entreter e alcançar. E assim prossegue, inúmeras vezes, até que nossa velhice destrua toda nossa menininice sonhadora e possamos finalmente aproveitar o que temos, não o que queríamos ter.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Os analgésicos da existência
Os fracassados entregam-se às mentiras de suas vidas. Empanturram-se de analgésicos naturais, como um meio benéfico para aliviar as dores vividas. O consolo para os solitários, os infelizes e os ordinários é a desgraça alheia, a miséria a nossa volta... e somente isso pode consolar tais figuras. Saber que existe alguém, em algum canto do universo, que está sofrendo muito mais que você, foi sempre um aspecto reconfortante aos humanos, mesmo que odiemos admitir. Nosso riso só é verdadeiro quando a vista é olhada pelo lado humorístico, enxergando-a como uma enorme piada(sem graça, obviamente). O fardo de existir pesa na nossa consciência e nossas angústias só são saciadas com alguma válvula de escape, pois sem elas, certamente enlouqueceríamos. Cada qual segue de sua maneira, encontrando em vias distintas, o preenchimento das lacunas internas, mesmo que no final de tudo, essas lacunas permaneçam no nosso interior.
Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.
Os demônios pessoais são apaziguados pelo êxtase do viver, pela fugacidade do presente. Sem o prazer carnal contido em cada ato, seríamos como lobos na selva, uivando por instinto... Os benefícios presentes, assim como a capacidade de engavetarmos nossas dores e ilusões no fundo de nossas almas, costumam estar vinculadas à nossa natureza, assim como o latido de um cão, que age late por instinto em busca de algo insaciável; a nossa diferença é que, nossa imensa capacidade de raciocínio lógico nos coloca como seres superiores(nesse aspecto, logicamente), trazendo-nos, desde os tempos mais remotos, uma necessidade incontrolável de padronizar linguagem, conhecimento, gostos... e eis nossa maior fraqueza: nossas vidas; a capacidade inquietante de por-nos como centro do universo, da criação divina, de perdemos a ciência de nossa imensa nulidade perante ao universo. Jamais conseguiríamos viver com um peso que não aguentaríamos, o peso bruto e real de nossas vidas, por isso, na nossa infinita estupidez, continuaremos absorvendo analgésicos, até que o estoque termine ou os pacientes entrem em coma.
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