O campo da liberdade parece muito abrangente, subjetivo e vago. E quem acha isso, realmente tem razão. Limitar a liberdade em poucas palavras, ou somente em um ou dois conceitos é pouco para uma questão tão instigante e provocativa. Filósofos e intelectuais passaram anos tentando entender esse conceito, passando de Kant até o filósofo francês proliferador do existencialismo, Sartre, passando por Schopenhauer, o maior dos pessimistas. Com opiniões diferentes, cada filósofo divagou e estudou a liberdade em seus mais variados aspectos, incluindo o que mais me chama atenção: a liberdade do ponto de vista existencial. E desse ponto farei como alicerce do meu texto: afinal, o que é liberdade? Difícil entendê-la, explicá-la e, mais que isso, tê-la. Não acredito que a liberdade seja inerente à natureza humana, tampouco de outros animais; acredito que a liberdade seja uma opção, talvez a melhor delas, mas não esteja tão conectada conosco. Somos livres se quisermos ser livres, se fizermos por onde e, principalmente, se cumprirmos as obrigações morais de cada sociedade, em cada época distinta. Portanto, até mesmo a liberdade, uma de nossas maiores dádivas, está limitada às regras sociais e, mesmo que tentemos infringi-las ou burlá-las, estaremos ultrapassando a tal deseja liberdade. Indo mais além, será mesmo que a liberdade existe? Ou ela é apenas uma utopia fantasiosa e irreal, da qual tiramos proveito para nosso próprio bem-estar? Difícil dizer; impossível chegar a uma conclusão precisa e irrefutável. Apenas podemos perceber que, para termos liberdade, devemos restringir nossas vontades à um conjunto dogmático de regras, o que já infringe, mesmo que indiretamente, o conceito humano de ser livre.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
A liberdade e sua dimensão
domingo, 17 de outubro de 2010
A arte da vida
Necessitamos de tudo
Precisamos de pouco
Na interminável noite sombria
E até no suave amanhecer
Diante do sol estaremos
Procurando uma sombra
Ou esperando o anoitecer
Até o belo dia terminar
Continuaremos nessa estrada
Mesmo que nossos sonhos esvaziem-se
E nossa força acabe
Lutaremos como bravos guerreiros
Sonhando com uma vida melhor
Andaremos suaves como o vento
Fortes como um trovão
No escuro da solidão
E na luz da interação
No final olharei
Tudo que fizera
Os erros e acertos
De uma vaga ilusão.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Os pedestres da vida
Na avenida da vida, todos são pedestres. Não importa a força, a importância, a posição hierárquica da pessoa, todos estão sujeitos às imprevisibilidades da vida. Chegamos desavisados, vivemos sabendo pouco e saímos da mesma forma. Tentativas frustradas de saber nossa verdadeira origem não passam, no final das contas, de um mero passatempo para que nos esquivemos da crueza do cotidiano. Acordar, conversar, alimentar-se, estudar, aprender, sorrir, discutir, chorar, caminhar... é isso que nos resta, e, mesmo quando estivermos descontentes com "nossa vida", permaneceremos com ela, porque é isso que temos; o cotidiano, as risadas, os choros, os encontros e desencontros da vida. E, por maior que seja nossa decepção perante a isso, estaremos com um sorriso no rosto, pela dificuldade de mudar qualquer coisa - mesmo que isso implique em nós e tão-somente. Ninguém, por mais que tente, assumirá a posição de motorista, sequer do carona ou passageiro, não pela dificuldade imposta, e sim pelas nossas próprias limitações, que, de certa forma, tornam tudo relativamente suportável, até mesmo uma intensa dor. E no final de tudo, não passaremos de atribulados pedestres, procurando um lugar, talvez um lugar inexistente...
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Por quê?
Por quê o sonho, se a ilusão existe? Por quê o amor, se existe a dor? Por quê a alegria, se o sofrimento sobrepõe-se? Por que a liberdade, se a angústia nos aprisiona? Por quê a solidão, se temos a interação? Por quê os pássaros, se nos servem os bois? Por quê a posse, se nada é eterno? Por quê a futilidade, se tudo esvazia-se? Por quê a religião, se temos a ciência? Por quê o conforto, se conhecemos a verdade? Porque o remorso, se há apenas uma vida? Por quê a crença, se temos a miséria? Por quê o paraíso, quando estamos no inferno? Por quê o melhor dos mundos, se não existem outros? Por quê a vida, se nos basta a morte?
sábado, 21 de agosto de 2010
Desordem
Parafraseando a famosa música "Disorder", do Joy Division, venho lhes trazer uma pequena reflexão acerca do caos social, do artisticamente chamado "dadaísmo". Nada é mais comum em nossa sociedade que a busca pela ordem, pelo domínio, pelo poder; porém, por quê não poderíamos considerar a possibilidade do anarquismo estritamente prático e objetivo? Sem governantes, sem leis, sem hierarquia... apenas humanos aleatoriamente arremessados, regressando à nossa origem instintivamente primitiva. Todavia, mesmo sendo impossível conceber um anarquismo total e pleno em nossa sociedade atual, podemos perceber que nosso mundo é regido por leis estritamente limitadoras, com o claro objetivo de imperar uma mínima ordem em nossa espécie. Mas, se tudo isso é ilusório e criado por humanos iguais à nós, por quê uma hierararquia dominadora em busca do controle? Por quê a criação de leis, se nosso instinto animal não condiz com essa moralidade altamente controlada? Talvez, em tempos remotos, um intelectual persuadiu seu bando e impôs aquilo que hoje chamamos de "certo" e "errado"; "bom" e "ruim", fatores extremamente subjetivos, mas com a padronização crescente de pensamentos e ideiais, cada vez mais objetivos. E, a partir de então, ouve uma hierarquia errônea na sobreposição de valores, batendo de frente com nossos instintos mais primitivos. Pois bem; como uma desordem total seria inconcebível para os que amam o controle, a hierarquia e o dominio, é improvável que houvesse um retorno para nossa origem mais primitiva e racional, mesmo que isso significasse a plenutide que tanto sonhamos e jamais alcançamos.
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O improbabilidade do autoconhecimento
Um jogo de fachadas constantemente ilusórias. Essa pode ser uma breve constatação do que resume-se a socialização humana. Encontramos um conjuntos de leis e dogmas estritamente explicados, para que possamos peretencer à "algum grupo". Criamos ilusões esperando a vida eterna, seja no paraíso, no inferno ou na reencarnação. Desejamos, inevitavelmente, acreditar que nosso ciclo não acaba por aqui, que temos, em uma outra dimensão, algo que está à nossa eterna espera; Para que não morramos de desgosto e nossa vida não torne-se um passatempo estritamente enfadonho e tedioso, inventamos métodos capazes de suprir esse tédio e que nos ocupe para que estejamos mais longe de nós mesmos; é esse o principal interesse. Dominados pela lingaguem, pela interação desenfreada e pelas crescentes vias de comunicação(internet, por exemplo), sentimos um enorme pesar quando estamos longe de pessoas, quando estamos junto conosco e somente. Desejamos desesperadamente uma interação, uma comunicação, algo que nos traga à frente nosso infindável desejo de nos afastar de nós mesmos. Odiamo-nos e fingimos não saber disso, para que não sejamos rotulados como "deprimidos". Acreditamos que tudo que podemos desfrutar na vida está no admirável mundo por detrás das esquinas, das ruas, dos shoppings, das festas e toda superficialidade existentente. E, quando irreversivelmente seremos nossa maior compahnia, saberemos mais dos outros do que nós mesmos.
Vazio
O vazio é inerente ao homem.
Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.
Escutara essa frase de um conhecido(do qual não citarei o nome) essa semana e, desde então, não paro de pensar nela. Será que estamos tão conectados ao vazio? Ou é apenas uma constatação pessimista da nossa própria natureza? Analisando racionalmente, fico com a primeira opção. O vazio é altamente necessário para que nos movamos, não permaneçamos estáticos, pois, com uma condição eterna de satisfação, não haveria motivo para correr atrás de algo que queremos. Nosso vazio é um combustível altamente saudável para que possamos nos locomover, expandir e, acima de tudo, tentar preenchê-lo à todo momento. É recorrente associarmos o vazio à um aspecto negativo da vida, uma característica aos solitários miseráveis. Porém, observando amplamente, esse vazio tão mal visto pelas pessoas em geral, é uma condição estritamente vinculada à nossa natureza. Contudo, quando esse vazio aflora-se de maneira incontrolavelmente rápida e direta, há um pesar na vida do indíviduo; uma sensação de que nada será capaz de sanar esse profundo abismo existencial. Daí então, há uma procura insaciável de algo suficientemente capaz de sanar esse vácuo. Procura por esportes, busca de um relacionamento amoroso estável que vá lhe trazer alguma segurança para essa "fase difícil", ou até alguma via artística(música, por exemplo), para canalizar suas angústias mais profundas, são, os métodos mais usados para tal. E nesse inevitável vazio nos encontraremos, até que sejamos suficientememente capazes de superá-lo de maneira sóbria.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Pensar em demasia
Não sou homem; sou dinamite.
Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.
Com essa expressão o tanto quanto "bombástica", iniciarei meu texto parafraseando a famosa frase feita por Friederich Nietzsche. E, apesar de admirá-lo em suas ideias e pensamentos, não ousarei em comparar-me à ele. Apenas hei de admitir minha semelhança com essa frase: Eu não sou um homem, sou uma dinamite. Assim como Nietzsche escrevera em seu texto de ataque direto ao pensamento da cultura Ocidental, tenho a plena convicção de que, apesar de biológicamente ser considerado como humano, metafóricamente não o sou. Tenho uma impressão instintiva de que, à qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer ocasião, estou à ponto de explodir, não literalmente, mas metafóricamente. Tantos pensamentos, reflexões e uma maneira extremamente insatisfatória de enxergar à sociedade como um todo me fazem ter essa postura semi-explosiva. Sinto que, em algum momento, não serei suficientemente capaz de suportar tantas reflexões, porém, como já dissera em posts anteriores, jamais conseguiria restrigir-me à superficialidade da minha matéria; não conseguiria viver com os olhos vendados, em um mundo lotado de ilusões e mentiras(não necessáriamente maléficas). Institivamente preciso remover tal véu e enxergar a crueza estritamente vazia da realidade. Destruo minhas capas mais sólidas, em busca da verdade, geralmente amargurada e difícil de ser enxergada. Por isso, digo e repito, sem qualquer tipo de "bloqueio humano": Não sou um homem; sou dinamite.
Caos
Largando tua mão
Saberei onde encontrá-la
Sem saber onde encontrar-me
Rumando à uma intensa explosão
E quando o raio de sol ilumiar nosso caminho
Reclinaremos nosso corpo pelo tão sonhado desejo`
Enquanto as sombras penetrarão pelo vazio da alma
E nosso mundo esteja novamente desordenado
Quando soubermos o que fazer, estaremos perdidos
Porque não há nada melhor que essa imprevisibilidade
Rumando ao caos eu quero estar, longe dos estáticos
Sabendo que hei de encarar uma enorme vulnerabilidade
Nossos pés estremecem
A interminável noite coloca-se diante de nós
Tolos; fragéis; insanos
Estaremos perdidos até que haja um caminho irreversível para qual seguir
Saberei onde encontrá-la
Sem saber onde encontrar-me
Rumando à uma intensa explosão
E quando o raio de sol ilumiar nosso caminho
Reclinaremos nosso corpo pelo tão sonhado desejo`
Enquanto as sombras penetrarão pelo vazio da alma
E nosso mundo esteja novamente desordenado
Quando soubermos o que fazer, estaremos perdidos
Porque não há nada melhor que essa imprevisibilidade
Rumando ao caos eu quero estar, longe dos estáticos
Sabendo que hei de encarar uma enorme vulnerabilidade
Nossos pés estremecem
A interminável noite coloca-se diante de nós
Tolos; fragéis; insanos
Estaremos perdidos até que haja um caminho irreversível para qual seguir
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